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Outras frases de Psicóloga Raysa Lima

⁠Eu não cuido de doenças, eu cuido de pessoas. Doenças tem sintomas, pessoas tem músicas preferidas.
⁠Dentre todos os sentimentos que me cruzam os ouvidos diariamente, a solidão parece ser o mais corrosivo. A solidão enlouquece. E há quem diga que nascemos sozinhos.
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⁠Dentre todos os sentimentos que me cruzam os ouvidos diariamente, a solidão parece ser o mais corrosivo. A solidão enlouquece. E há quem diga que nascemos sozinhos. Ninguém nasce sem uma ajuda de um outro, que lhe carregue no ventre ou que lhe tire de lá. Que lhe corte o cordão umbilical e lhe lance para o mundo. Ninguém sobrevive aos primeiros anos sozinho. Me pergunto se essa é a primeira lição da nossa espécie: precisamos uns dos outros, não existe independência absoluta. Até para sobreviver só, é preciso alguém que lhe ensine como fazer isso. É por essas e outras que a solidão desnaturaliza a existência. A solidão é uma ilha, mas não uma ilha qualquer. Ela destrói quem é feito de carne e osso. De todas as intervenções possíveis com os meus pacientes, a primeira que me dedico é diminuir a solidão. "Ah, mas a gente precisa aprender a ficar sozinho" Claro. Mas a solidão não é sobre não saber estar só, às vezes, a solidão é sobre não saber como dividir a vida com alguém. É possível sentir solidão em meio a uma casa cheia, junto aos amigos e colegas de trabalho. E eu arriscaria dizer que essa é uma das ilhas mais isoladas: nem a proximidade física é capaz de atravessar as fronteiras. O mar de sentimentos que rodeia essa ilha é habitado pelo medo, pela insegurança, pela desconfiança, pela baixa autoestima, pela sensação de que qualquer pessoa que se aproxime vai se afogar ou te atacar. Uma ilha de proteção ilusória. "A solidão é fera, a solidão devora". Talvez você esteja só. Talvez você acredite que seja mais seguro aí. Talvez você simplesmente não saiba como sair. Lembre-se: Não há resgate sem pedido de ajuda. A solidão é uma ilha carnívora... Mas ela não precisa devorar você.

⁠A escuta de um trauma O trauma é uma cordilheira de escombros. Existe um sujeito soterrado nesse emaranhado de dor?
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⁠A escuta de um trauma O trauma é uma cordilheira de escombros. Existe um sujeito soterrado nesse emaranhado de dor? Existe vida, depois do trauma? O trauma é afiado, e o trauma falado corta, rasga, craquela o sentido, a fantasia, o imaginário. E nesse caos subjetivo, a escuta também dói. A dor de quem ouve o trauma é a dor de presenciar uma avalanche, como um observador distante, de um lugar seguro e impotente, de quem vê a destruição passar, dela não faz parte mas é por ela tocado, e é dela também um sobrevivente. Como num mar revolto, o terapeuta precisa saber nadar, mergulhar, respirar, numa posição peculiar de quem entra em cena para cuidar de alguém se afoga, sem poder no entanto, salvá-lo ou nadar por ele.