Frase de Maria Luiza Barros Grochvicz
"Os que não sou, mas que deixaram rastros" por Luiza_Luiza_Grochvicz. Alguns filósofos não fazem parte de mim, mas suas ideias são como vestígios que deixam marcas, sem nunca se fundirem com o que sou. Eles não tocam minha alma, mas de alguma forma me lembram de quem não sou, de caminhos que jamais trilhei. Descartes acredita que a dúvida leva à certeza. Mas para mim, a dúvida não é ponto de partida — ela é uma constante. A certeza que ele busca é algo que nunca almejei. Sua confiança na razão me parece uma tentativa de fugir da incerteza que é a essência da vida. Hegel vê o mundo como uma progressão inevitável, mas eu não acredito que a história seja uma linha reta. Eu não vejo a totalidade que ele fala, porque a vida, para mim, é feita de rupturas, não de continuidade. Aristóteles fala da razão e da moderação. Mas eu não sou feita de equilíbrio — sou feita de intensidade. A vida, para mim, não é sobre encontrar a média, mas sobre viver sem medidas. Spinoza quer explicar tudo pela razão universal. Mas eu acredito que a razão não pode capturar a caos da vida. A liberdade que busco está justamente no que não pode ser controlado, no que é imprevisível. Comte quer medir e explicar tudo. Mas para mim, a verdade não está na quantificação. A vida não é para ser controlada, mas para ser sentida. Esses pensadores não se conectam a mim. São como estradas que eu nunca percorri, como mapas de um mundo que não é o meu. Eles deixam rastro, mas não definem quem sou. Eu sou mais que isso, sou o que não sou em relação a eles.
No pensador.ai desde