Frase de Maria Luiza Barros Grochvicz
"Os que me tocam de longe" por Luiza_Grochvicz. Há pensadores que me abraçam. E há outros que apenas me roçam os ombros — e mesmo esse toque breve é suficiente pra deixar marcas. Com Sartre, danço na mesma praça da liberdade. Ele me ensinou que somos condenados a ser livres — e isso dói. Mas ele escreve com bisturi, eu escrevo com flor. Ele exige do mundo um sentido; eu só pergunto se há beleza mesmo sem ele. Nietzsche me sopra no ouvido: “viva intensamente.” E eu ouço. Mas ele é raio, trovão, fúria. Eu sou mais vento, silêncio, brisa que corta devagar. Ainda assim, seu amor fati ressoa em mim como um eco antigo. Levinas me lembra do outro. Do rosto que me olha e me exige responsabilidade. Eu também carrego a dor alheia no peito — talvez por isso minha escrita seja tão cheia de pele. Mas ele fala do infinito; eu falo da finitude que nos salva. Com Arendt, compartilho o espanto. O pensar como gesto político, o cotidiano como campo de batalha. Mas ela fala de regimes; eu falo de ruínas interiores. Ela escreve história; eu escrevo feridas. E Pascal, ah… Ele fala do coração com lógica, e eu falo da lógica com o coração. Ele apostou em Deus — eu aposto no instante. Mas ambos sabemos: há coisas que só se entendem com o que pulsa. Esses são os que passam por mim como vento em tarde quente: não ficam, mas refrescam. Me pareço com eles às vezes — mas apenas em lampejos. O resto é meu.
No pensador.ai desde