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Frase de Carlos de Castro

⁠EI-LA Ei-la: Que corpo mais bem feito Ao meu jeito, Vestido da flacidez Do alto dos sessenta anos; Nos seios algo vergados Pelo peso das pálpebras descaídas Em choros de enganos, Como rosas de botões mirrados Por tantas secas sentidas. Ei-la: Posando no gerúndio Em nu do verbo profundo, Já sem aquela penugem No frontispício que anuncia A abertura da sagrada lascívia Que já foi farta E negra como cabelo de índia, Rosada por dentro, Em ânsias de fortes orgasmos, Teimando agora em voltar a tê-los. Ei-la: Como vai gostosa Aquela mulher digital, De olhar quase fatal, No seu biquíni airoso, De mataco gostoso Nas sua praia de provocar. Só eu a posso parar, Explodindo o poema meu, Este que acabo de escrevinhar, Sem sequer poder tirar Uma fotografia à Sheila, Que faz uma certa rima Pelo que escrevi acima, Ei-la: é rútila. (Carlos De Castro, In Há Um Livro Triste Por Escrever, em 30-06-2024)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)