Frase de Augusto Galia
Entrelaços duplamente eternos Sob a lua prateada, tão serena e tão casta, No princípio se eleva a imagem que contrasta. Por entre estrelas de um azul profundo e frio, Deus traçava o infinito, seu divino desafio. O mármore do tempo, tão polido e sem falha, Ressoava na cidade, na vida que trabalha. Em ouro e prata, brilham as máquinas de ferro, Álvaro vê Bilac, no reflexo do espelho. "Amarás!", dizem versos em rimas bem medidas, Mas o grito da alma, nas ruas e avenidas, Se perde na turba, na frenética canção Da máquina e estrofe, pulsação e coração. Porque Deus, em seu esplendor e perfeição, Ofertou ao mundo um Filho, a salvação. Mas na esquina de Lisboa, em um olhar de contraste, Campos busca o seu ritmo, antes que sua alma se desgaste. "Eis que estou!", exclama o poeta, em pulsação, Na busca pelo eterno, pela exata expressão. A beleza parnasiana, na técnica e na arte, Se funde com o grito, rasga a alma, parte a parte. Na metrópole do ser, onde o sonho e o real colidem, Bilac e Campos dançam, e suas vozes decidem: O eterno e o efêmero, juntos, se entrelaçam, Em versos e máquinas, que o tempo não deslaçam.
No pensador.ai desde