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Frase de Eduarda Morgado

Ele estava completamente alheio da minha presença, já eu, estava completamente ciente dos seus atos, e no meu próximo ato. Minha presença, até então desconhecida, foi revelada quando coloquei-me de pé na porta da cozinha, à sua frente. Olhamo-nos como sempre, com aquele ar de implicância no ar. Ele sabia que meu próximo ato seria irritá-lo, como forma da minha diversão. Tomei-lhe o pacote de biscoito que se encontrava semi-devorado em sua mãe. Sua reação foi a mais do que esperada, no instinto de somente combater a minha superioridade do momento, esquecendo-se do valor real do biscoito, ele empurrou-me contra a parede, tentando tomar-me o objeto de briga. Seu corpo e o meu estavam juntos, e seu rosto bem perto do meu, sua força me tirava a vontade de continuar naquela implicância sem fundamento. Num gesto bruto como tal, empurrei-lhe na primeira porta que tive chance. Acabamo-nos no banheiro, com as luzes apagadas e ainda brigando pelos biscoitos, que só eram, agora, uma desculpa para testar nossas forças. No fundo, eu sabia que ele tinha mais força que eu, fisicamente, porque quem cairia tão fácil numa implicância como essa? Quem tem seu ego tão ferido só por causa de um biscoito? Quando eu já estava exausta e a respiração estava falhando, ele tomou de mim o pacote, com um sorriso vitorioso no rosto. Eu não ia deixar por aquilo. Eu comecei então eu ia terminar. Acabei por fechar a porta e trancar nós dois lá dentro, com as luzes apagadas. Mesmo estando escuro, eu via seus olhos duvidosos nos meus, que estavam maliciosos. Ele parecia uma criança, mas de criança fazia-se só sua aparência. Porque dentro dele tinha um coração maduro, idéias feitas, porém, uma mente confusa e perturbada. Voltando para implicância, mandei-lhe me devolver os biscoitos, mas ele negava-se, como esperado. Havia algo no ar que me desconcentrava, respirei fundo, então notei o perfume dele no ar, me confundindo da minha meta. Por puro instinto, fui para cima dele para pegar de volta o que me pertencia, ele jogou-me de novo contra a parede e me prensou lá. Sem me debater, sem brigar, sem respirar. Seus olhos estavam nos meus e minha boca muito perto da sua, eu podia sentir o gosto do seu hálito. Tudo ao redor ficou mais escuro, e eu senti meu corpo todo perder a força, meu coração acelerou. De repente, eu só senti que não era mais o gosto do seu hálito que eu sentia, e sim a sua boca na minha. Seus lábios eram quentes, e mesmo estando acostumada com eles, eu me perdia. Suas mãos passavam pelas minhas costas, meu cabelo, meu pescoço, tudo que ele sabia que pertencia a ele. Eu, do meu lado, só tentava trazer o corpo dele pra mais perto do meu, iludindo-me que fisicamente aquilo seria impossível. Mas por outro lado, estávamos sendo um só ali, mesmo sentimento. Não havia o que perder, não havia o que ganhar... Por fim, nenhum dos dois ganhou.

Eduarda Morgado

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Saudade de alguém que vire pra mim e diga: ''Você é linda.'', mesmo que eu esteja que nem uma mulamba. Saudade de alguém que me diga: ''Tente mais uma vez, eu confio em você.'', mesmo que eu já tenho errado mil vezes. Saudade daquela pessoa que via dentro de mim uma beleza que ni…
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Saudade de alguém que vire pra mim e diga: ''Você é linda.'', mesmo que eu esteja que nem uma mulamba. Saudade de alguém que me diga: ''Tente mais uma vez, eu confio em você.'', mesmo que eu já tenho errado mil vezes. Saudade daquela pessoa que via dentro de mim uma beleza que ninguém nunca conseguiu ver, saudade de que alguém veja o que eu realmente sou por dentro, a criança que existe dentro de mim. Alguém que me abrigasse do medo só com um abraço, alguém que mesmo que esteja com toda raiva do mundo de mim, ainda assim não conseguisse ficar longe de mim. Alguém que só queria ouvir minha voz, alguém que só queria a minha companhia, alguém só queria o meu bem. Alguém que tinha medo que eu crescesse porque a vida machuca demais. Saudades daquele que, infelizmente, foi único em tudo.

''Como você quer ser psiquiatra se você não gosta de ''gente''?'' ''Pelo fato de eu não gostar que eu me daria muito bem.'' ''Por que?'' ''Quando gosto das pessoas, não sou capaz de olha-las a fundo, ver o que realmente são, eu vejo o que elas querem me mostrar, sou muito ingên…
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''Como você quer ser psiquiatra se você não gosta de ''gente''?'' ''Pelo fato de eu não gostar que eu me daria muito bem.'' ''Por que?'' ''Quando gosto das pessoas, não sou capaz de olha-las a fundo, ver o que realmente são, eu vejo o que elas querem me mostrar, sou muito ingênua com quem amo, mas se eu odiar alguém, vou analisar cada centímetro dela e ela será incapaz de me enganar.''

E eu ainda me sinto tão só, e a dor aperta mais quando eu procuro alguém pra me ouvir, aquelas coisas bobas que só você ouvia. Dói agora não poder dizer nada pra ninguém, não ganhar crédito por nada, receber um elogio pela menor coisa que eu fizer. Caramba, como você faz falta. C…
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E eu ainda me sinto tão só, e a dor aperta mais quando eu procuro alguém pra me ouvir, aquelas coisas bobas que só você ouvia. Dói agora não poder dizer nada pra ninguém, não ganhar crédito por nada, receber um elogio pela menor coisa que eu fizer. Caramba, como você faz falta. Como você era importante e necessário. Caramba, por que você se foi?

Tem dias que sou assim: meio boa, meio legal, meio meiga, meio calma. Sem muita coisa pra dizer, uns sorrisinhos no canto da boca, suspiros leves. Há dias em que me torno um monstro (e não me refiro só os de TPM), uma palavra já me irrita, uma implicância já me destranca a pior v…
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Tem dias que sou assim: meio boa, meio legal, meio meiga, meio calma. Sem muita coisa pra dizer, uns sorrisinhos no canto da boca, suspiros leves. Há dias em que me torno um monstro (e não me refiro só os de TPM), uma palavra já me irrita, uma implicância já me destranca a pior vingança, meio assim, meio irritada, meio brava. Tem dias que sou meio-a-meio, meio tudo, meio nada, meio sem tempero, meio doce, meio amarga... Dias que o sol não me alegra, dias que quero correr na praia. Dias que não quero sair da cama com frio, dias que quero me molhar na chuva. Sou feita de dias, os dias me fazem, na verdade, eu faço os dias. Quem manda no meu tempo, sou eu.