Frase de Lenita Melo
Saga Nordestina Da vida do meu pai pouco sei. Mas pelos seus olhos pude ver toda alegria e tristeza e sobre essas contarei. Por disputas de terras nos anos trinta, mais uma família brasileira seria extinta. De linhagem pequena devastada pela saga nordestina Os Melo se foram em uma chacina, Ficando para a vida, somente o menino e a menina. Criado com mais uma dúzia de outra família, fez do sonho sua rotina. Já que a realidade era perversa e até ali a vida lhe foi cretina. Não posso imaginar que vida foi aquela, Mas sei o cenário, pois tudo se passou em Pernambuco, Exatamente em Casa Amarela. Mas homem de fé não desanima, É o que reza a lenda e conto em rima. Para servir a sua pátria mãe gentil Aos 18, rumo a uma nova vida partiu. O recomeçar veio divino, em uma ilha de esplendida beleza, Mais que uma nova vida, amigos encontrou na fortaleza. Foi soldado onde não havia guerra, Serviu ao Brasil no maior paraíso já visto na terra. Em Noronha, entre peixes e tartarugas viveu Foi tão feliz que até das mazelas da infância esqueceu. No quartel era soldado, na igreja era fiel, nos bares para um brinde esperado e as noites acabavam no bordel. De pesca e Futebol ele gostava Mas segundo minha mãe, ofício nunca aprendeu. Ele dizia que na Ilha tinha tanta coisa boa Que apesar de passar anos, o tempo não deu. Ainda na casa dos 20 percebeu, que na sua porta, uma nova prova bateu Para febre amarela, os cabelos e amigos perdeu e mais uma vez quase morreu. Queria uma nova chance Precisava de um novo sonho que estivesse ao seu alcance Tomou uma atitude que julgou vitoriosa, Trocou o canto das sereias Pelo mito da cidade Maravilhosa. Das sereias e seus encantos já sabia de defender Das dificuldades de um emigrante na cidade grande, teve que aprender. Procurava trabalho e uma vida boa sob o sol da Guanabara Alegria até encontrou, mas a felicidade foi o preço cobrado por Iara. Na estiva trabalhou e sob o sol suava Pelo dinheiro pouco que ganhava Para a pinga até que dava, E para nada mais sobrava. Voltar não era opção, tinha que seguir em frente, trabalhando para comprar o pão, assim conheceu muita gente. Se foi certo ou errado, não cabe a mim julgar Um pouco dele vive em mim, no meu modo de sonhar Do jeito dele me amou, não há o como duvidar Se foi real tudo o que se passou, não tenho como provar Um repente fraco sobre a vida de gente forte Que mostra que para sobreviver à saga Nordestina, precisa ter mais que força, precisa ter sorte. Para fazer valer a sua estrada e deixar uma história, Mesmo que seja após a sua morte. Como disse, se tudo é verdade não tenho certeza. Mas isso não tira da história a sua beleza Pois não fala do sonho de um homem e sim da saga de um povo e da sua grandeza.
No pensador.ai desde