Frase de Natali Azevedo
Se me disseres adeus, meu amor, Meus olhos vão se fechar. É a morte de um sonho meu Que sozinha estive a sonhar. Eu quis me dar um presente Infinito além do céu. Eu quis me dar um amor Como dos filmes que ninguém fez. Se me disseres adeus, Tudo que havia em mim eu já chorei. Não me restaram palavras Nem medos que me pusessem fim. Tudo em ti, meu amor, Eu já ganhei e perdi. Eu definhei em segredo E também em silêncio eu cresci. Foram para ti os poemas Que a Deus eu dirigi. E diante de um sonho Tão salgado, Tão pobre e tão rica eu me vi. E diante do hoje No qual conquistei Tudo e ao mesmo tempo, nada, Pronta, eu morro em mim. Eu me amei, Eu me aplaudi, Também sozinha Chorei, Também sozinha sorri. Se me disseres adeus, Me conforto dentro de mim. Eu não sou Deus, Eu não sou Deus, E desse sonho, ainda viva, Eu vou me despedir. Mas, se me disseres oi e sorrir, Entrego meu amor Por uma vida inteira a ti, Na esperança de um milagre Que no meu coração senti. Talvez eu seja só ilusão E um dia saudades. Ainda assim, eu sonhei, Eu te amei, eu te vi. Mas se disseres adeus, meu amor, A Deus entrego o amor que dei E não recebi... E de todas as tolices que a vida humana reserva, Não me arrependeria de reparar em ti. És belo... És belo... És belo... Assim te vi. Assim te fiz E assim hei de me despedir. Eu? O que sou? Pétala ao vento... Poucos hão de reparar em mim... Mas eu, tudo vivo, e reparei... Ao menos tentei dar um final feliz para ti. E para mim? Meu final? Eu morro todas as noites... E renasço todas as manhãs Até o dia em que não existir mais Sol... Eu morro a cada minuto e renasço a cada sinal. Mas, se me disseres adeus, meu amor, Ainda haverá outros olhos, até meu último suspiro, pelos quais lutar, com os quais me distrair. Os meus olhos? Ora, que ricos! Ora, que tristes... Ora, que tudo veem... Menos o futuro, além do meu coração. Meu coração: eterno jardim a esperar florir. Um dia, quem sabe, encontro consolo em mim.
No pensador.ai desde