Frase de Maria Luiza Barros Grochvicz
"Peso de Uma Mão Só" Ela se aproximou como quem oferece abrigo, mas só procurava abrigo em mim. Trazia a capa da amizade, mas por dentro só carregava espera — espera de tudo que eu podia fazer. Fazia de mim degrau, escada, ponte, me pedia tudo, e eu — tola por amizade — dava. Corria por ela, dobrava o tempo, me sacrificava em silêncio por uma amizade que era só espelho, refletindo só o que a favorecia. E quando a luz se acendia, ela estava no centro. O brilho era dela, o feito era dela, eu era só a sombra que ninguém nomeia. E o mundo a aplaudia, como se ela fosse santa, como se o esforço fosse dela, como se eu não existisse atrás da cortina puxada. Fui corpo sem rosto, mão sem palma, voz que ecoava no fundo sem nunca tocar o ar. Ela nunca quis me conhecer, só queria o que eu podia oferecer. E quando precisei, sequer se virou. Hoje vejo: amizade que pesa só de um lado é corrente, não laço. É prisão, não afeto.
No pensador.ai desde