Pular para o conteúdo

Frase de Gabriel Tarrão

REGREDIU Onze da noite, tudo escuro. Pensamentos fluem com constância. Consigo inalar o ar mais puro Me vejo pensando na infância. Não fui egoísta Pensei no geral Sobre como era vista E seu declínio [a]normal. Observando com calma Vem muita coisa na mente Lembro-me das brincadeiras E do jeito puro, inocente. Em tempos remotos Vivíamos um sub-mundo Tanto que nem existem fotos Está tudo na cabeça, bem lá no fundo. Não havia apego ao material Nada de computador ou celular. Brincávamos, quase sempre no meu quintal, Que era arejado e ampliava o magnífico luar. O cenário era uma pequena vila "Vila Sol Nascente" Onde a vida era tranquila E só morava boa gente. Fora da minha casa Tínhamos um quartel general Cheio de frutas e animais, Era o misterioso Horto Florestal. Meu canto era aquele ali Naquele mato escuro Onde, de verdade, vivi Subindo em árvores e caindo de maduro. Era o lugar pra onde fugia Onde tirava manga, laranja, mamão. Corria do vigia. Brincava de polícia e ladrão. E isso é só uma parte De uma época fenomenal. Em que podíamos estar em Marte E, em um piscar de olhos, ir ao Nepal. Era perfeito! Mas, chegou uma tal de evolução A quem dou o nome de retrocesso. E tudo aquilo que era feito a mão Passou a ser, por uma máquina, impresso. Inocência virou maldade O claro virou obscuro. O horto, uma raridade, Foi cercado por um grande muro. O rio, de tão poluído, secou. Perdeu toda sua essência, sua beleza. O verde acabou. Uma enorme agressão à bela natureza! Foi uma enorme destruição, Aquilo que o próprio homem fez. Hoje, esbanjando diversão, Somente duas crianças, talvez três. As ruas, já asfaltadas, Foram tomadas pela violência E por pessoas, coitadas, Sem um pingo de inteligência. Era perfeito! Hoje, não é mais. E assim, desse jeito, Todos buscam por paz. Eu, mero pensador, Continuo escrevendo Falando dessa minha dor. Desse retrocesso que eu estou vendo. Peço que tudo volte a ser como era Que acabe toda essa tristeza Peço que a maldita fera. Volte a ser princesa. Lamento pelas novas crianças Que se divertem com moderação. mas, ainda guardo esperanças. De que elas saiam dessa ilusão. Chamada, erroneamente, de evolução.

Gabriel Tarrão

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Gabriel Tarrão

MERA OBSERVAÇÃO Era noite de sexta feira. Uma noite bem fria, por sinal.
Continuar lendo

MERA OBSERVAÇÃO Era noite de sexta feira. Uma noite bem fria, por sinal. Falei com todos, puxei uma cadeira. Me acomodei e comecei a conversar, nada anormal. Comigo, os velhos companheiros de prosa Um pouco de assunto e o som vindo da rua. Ao centro uma mesa com uma flor, uma rosa. Alguma bebida e um prato de carne meio crua. Estávamos todos no interior d'um bar. O típico boteco que de tudo tinha. Da cachaça mais inusitada Ao famoso frango à passarinha Na vitrola, um bolero conhecido. Ao lado, uma linda dama de perfume. Na sinuca, um malandro bem sabido E o papo fluía como de costume Mas, tinha algo diferente Algo estranho acontecia, Era comigo. E, meio que de repente, Perplexo, eu me via. com tudo eu estava entretido Passei a enxergar tudo. Enxergar não, ver. Ver aquilo que estava no meu mundo. Aquilo que eu insistia em esquecer. Vi o grilo, que zoava no teto Já me tachando de louco Pois, dar importância a um inseto pra loucura, faltava pouco. O giro das hélices do ventilador, que esfriava ainda mais o lugar Era monótono e assustador Tal como um velho que, solitário, estava por lá. Um casal de gulosos que sempre pediam o mesmo Um prato cheio ovos E uma porção de torresmo. Do outro lado da rua Residia Um mendigo Vivia no mundo da lua Abandonado, doente, encardido. Me irritei com a porta do banheiro Que fazia um som insuportável Até que um garoto, um tanto ligeiro Entrou lá e o resto é improvável. Pensei na minha família Que, feliz, me aguardava no lar E quando, no bar, entraram mãe e filha Queria, pro meu aconchego, voltar. Até que, de supetão, tudo sumiu. Abri meus olhos e me surpreendi. A porta do quarto, autônoma, se abriu E num piscar de olhos, uma tragédia percebi. Fiquei mal, desolado o rosto estava bem tristonho. Tudo aquilo que havia presenciado. Fazia parte de um sonho Um sonho engraçado De mera observação Só que estava recheado, coitado, De uma ingrata ILUSÃO.

ESPONTÂNEO Esse sentimento sombrio que reside em mim. parece importante, mas é muito ruim.
Continuar lendo

ESPONTÂNEO Esse sentimento sombrio que reside em mim. parece importante, mas é muito ruim. Algo que não sei como explicar. Quase como um pássaro doente, que não pode voar. Um sussuro que invade meus ouvidos. Sonhos distantes,pensamentos perdidos. Um cheiro forte, um gosto amargo. Como inalar angústia tragando um péssimo cigarro. É inexplicável! É espontâneo! Mas, tudo passa, ou quase tudo passa. E a alegria, antes tão escassa, retorna. E traz consigo a esperança de que, como uma criança, que sonha, sofre, sorri Eu possa me renovar a cada dia. Levar a vida, mesmo que de forma fria. Pois, não dá pra controlar. É inexplicável! É espontâneo! Essa vida minha, dividida em ciclos sentimentais. Antes tão estranhos, hoje normais. São coisas distintas, que não são bem vindas Mas, vêm e, sem nenhum porém, me confundem. Não reclamo como antes Já que, apesar de distantes, são naturais. Que irritam até demais, porém não dá pra fugir, pois É inexplicável! É espontâneo! Tão espontâneo e sem explicação Que me enche de inspiração Para que, em poesia ou canção Eu mostre o que diz meu coração. Deixando, por ora, a sábia razão.

Eu andei só. Andei com medo, no frio. A garganta já dava um nó
Continuar lendo

Eu andei só. Andei com medo, no frio. A garganta já dava um nó E o coração, coitado, vazio. Meus pés descalços sofriam Minha boca, tão seca, rachava. No meu pensamento, pessoas riam. E eu ainda não sabia onde estava. Restos humanos espalhavam-se pelo chão Um sinal da quase unânime desistência. E, em busca de evasão Tentava ativar minha inteligência Eu já não tinha mais controle As pernas, esbanjavam teimosia Tudo parecia desmoronar Corpo e mente estavam fora de sintonia. Perdi meus óculos, levados pelo vento ESte que levou também parte da visão E ali, ao relento, procurava uma saída daquela imensidão A lua brilhava com um ar sombrio Era evidenciada no céu fechado Refletia na nascente do rio, Sujo, imprevisível, maltratado. A fauna local era medonha Pior que ela, só a flora. De marcante, uma coruja tristonha Encima de uma árvore senhora. Eu continuava caminhando A cada passo, menos esperança A força ia, com rapidez, cessando Na mente, sequer uma boa lembrança. E eu, àquela altura, Já não tinha família. Andava só, numa realidade obscura Sem pai, sem mãe, nem filha. Após dois quilômetros, talvez três, Encontrei uma caverna E ali, encima de uma pedra Havia uma pequena lanterna. Era uma velha lamparina bem resistente, por sinal. Tudo parecia ser uma sina. Uma sequência. Início, meio e final. Eu segui pela gruta Quase para desistir. Com o sentimento de luta Mas, com o mundo a ruir. De repente, algo inusitado. Um espaço arejado abrigava um violão Deixei minha lamparina de lado E, com certa estranheza, sentei no chão. Um acorde aqui, outro acolá E eu me renovei Senti que algo bom ia chegar. Continuei... Dali, uma voz me guiava Uma voz rouca, marcante. O sorriso, que se ausentava Surgiu por um instante. Eu já estava esgotado As pernas destruídas Imundo, pessimista, desolado. O corpo cheio de feridas. Até que, como mágica Uma luz irradiou Aquela história trágica teve um fim, acabou. Andei por mais uns cinco minutos E cheguei a um parque natural Era tudo muito lindo, perfeito. Paraíso no meio de um arraial. Tudo era cheio de vida Do grão de areia à bela lagoa. E a vida passada, já esquecida. Foi trocada por uma sensação boa. A felicidade finalmente apareceu Como toda flor tende a brotar. E todo aquele breu Foi-se pra nunca mais voltar. Eu consegui! Triunfei! Estava risonho como uma criança E tudo isso que conquistei foi devido à fé e á esperança. Pois, quem acredita, sempre alcança!