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Frase de VINNI ROMEIRO

⁠⁠Em que tipo de forma nos colocaram? Desde crianças somos alimentados com o conto da forma, somos alertados que a felicidade mora na estabilidade. Que o anseio primordial é a segurança. Que o risco deve ser sempre evitado, e assim seremos felizes. Nos matriculamos então em prisões travestidas de casa do saber; grandes muros, vigias, celas com divisórias. Para reivindicar algo é necessário levantar a mão e pedir permissão ao vigia presente. Quem discordar ou contrariar irá sofrer as sanções. Talvez uma advertência ou suspensão. Mas o tocar do sino nos trazia sempre uma esperança. Afinal, no "banho de sol" entitulado de "recreio", tínhamos um breve momento de liberdade onde podíamos partilhar nós mesmos. Depois, o martírio recomeçava. Com o tempo fomos nos moldando e percebendo o giro desta roda. Bastaria que fôssemos bons de memória. Decorar seria o suficiente para avançarmos. Em poucos meses entendiamos que se replicássemos o padrão, jamais teríamos qualquer problema. No fim, entregavam um diploma àqueles que tiveram boa memória, então pregávamos um riso largo no rosto; algo nada discreto, mas também não podia ser diferente, é que nossos pais estavam logo ali, bem à nossa frente, com um orgulho estampado na cara e aliviados porque você, afinal, é um promissor replicante. Para coroar a cerimônia final, chamada "Formatura", os adultos ali presentes entoavam gritos de bravura e aplausos calorosos. A graça era manifesta e evidente. E ali, inconscientemente, aprendemos que todas as vezes que desejássemos obter aquela saudação, só precisaríamos entrar na forma. E o que veio depois? Nos "formamos" na faculdade, no ensino médio, na pós-graduação. E vamos nos moldando em várias formas, tomando a forma de algo que nem nós mesmos sabíamos. Porque quando questionávamos, apenas diziam: "eu não sei, mas é que todo mundo faz assim" Até que uma coisa acontece: um grito ensurdecedor implora para sair de dentro do seu peito. Sabe o que é isso? a sua essência aprisionada por toda uma vida, constitucionalizada no padrão, na média. Trancada dentro da própria casa, mas em vez de libertá-la, você faz o que foi programado a fazer: se adapta! Ou por não saber do próprio potencial, afinal, não houve treinamento para isso; ou por medo do risco. Não é o que te dizem? "mais vale o certo que o duvidoso" . No fim, você termina correndo em torno do próprio círculo, sonhando com um horizonte que não foi feito para você, afinal, foi o que disseram na TV. Você corre sem nunca ter saído do lugar. E assim, vamos replicando o padrão. Erguendo cada vez mais muros e nos jogando dentro. Carimbando nossas carteiras e nos enfileirando em departamentos de nomes compridos. Mas assim como no passado, há um alívio momentâneo. Um recreio que aqui o chamam de "Happy Hour". Uma sexta-feira tão aguardada que nem nos damos conta que estamos desejando que a vida passe mais rápido. E assim possamos contemplar cada vez mais outras sextas-feiras. A tão antes desejada estabilidade foi se tornando uma condenação. Uma espécie de perpétua, a Firma em Forma de Prisão. E para não parecer um estranho nesse ninho, você se ajoelha e diz sim para uma vida moldada pela forma. Até que um dia a catástrofe é percebida: Você finalmente se formou na vida!

VINNI ROMEIRO

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de VINNI ROMEIRO

Nunca se trata daquilo que já entregamos, mas sim do que ainda somos capazes de proporcionar às pessoas a nossa volta. A essência da vida, portanto, não é o retrospecto, mas o próximo passo.
Sabe por que existe a fofoca? ela existe porque há pessoas que usurparam tanto a vida alheia que acabaram se tornando altamente estranhas de si mesmas. Portanto, a única maneira de não ter que encarar o próprio "eu" é perambular pela existência do outro. É por isso que o fofoquei…
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Sabe por que existe a fofoca? ela existe porque há pessoas que usurparam tanto a vida alheia que acabaram se tornando altamente estranhas de si mesmas. Portanto, a única maneira de não ter que encarar o próprio "eu" é perambular pela existência do outro. É por isso que o fofoqueiro é, antes de tudo, um covarde. Pois acredita que ciscando o terreno alheio ele estará imune da limpeza do próprio quintal, quando, na verdade, ele apenas escancara a sua covardia de não ter que lidar consigo mesmo.