Frase de Ana Carolina Paulo
Roça minha Roça Ahhh, esses dias que vivi na roça encantada, Foram bálsamo pra alma, descanso pra jornada. Um cantinho de paraíso que faz o peito estremecer, Trazendo uma vontade imensa de da cidade me esquecer. Porque essa cidade louca, barulhenta, apressada, Onde tudo tem que ser feio, urgente, feito a pancada, Já não acolhe meu sonho, já não ampara meu ser; E o coração sussurra baixo: “volta pra roça, vai viver.” Na roça o tempo desacelera, respira em paz, Nada corre desvairado, nada exige jamais. O galo canta firme anunciando a aurora, E cada canto de pássaro é poesia que aflora. Os passarinhos cruzam o céu em voo certeiro, Colorindo o horizonte com um toque verdadeiro. No rio, os peixes pulam sem medo, sem pressa, Como quem dança com a água e com ela se confessa. A gambá atravessa o campo com seus filhinhos, Entre o capim orvalhado e os matos caminhos. É cena singela que emociona só de olhar, Um milagre cotidiano que só a roça pode dar. E eu, sentada na rede, a balançar devagarinho, Deixo que o vento me conte histórias no caminho. Nos primeiros raios de sol, sinto a vida me tocar, Como se Deus ali dissesse: “Filha, podes descansar.” O cheiro da terra molhada invade o meu peito, E cada detalhe do lugar parece estar no seu perfeito. Há um silêncio que abraça, uma calma que aquieta, Um aconchego que cura, que limpa, que completa. Respiro fundo… e em cada sopro eu sinto chegar Uma certeza doce, difícil até de explicar: Que não sou só visitante, nem mera admiradora, Sou parte dessa obra-prima, dessa terra acolhedora. Porque nesse lugar divino, nesse canto abençoado, Percebo que sou raiz, sou vida, sou passado. E quando a manhã se abre em luz e cintilante cor, Entendo de uma vez que ali também floresce o meu amor.
No pensador.ai desde