Frase de Natanna Xavier
Caixinha de Música Ele passava por aquela rua todos os dias Conhecia todas aquelas vitrines e nada mudara Até o dia em que algo na loja de relíquias lhe chamou a atenção Estava uma caixinha dessas de música aberta, parecia nova E sua linda melodia acompanhava a encantadora bailarina Ela rodopiava levemente vestida de branco Encantado, perguntou ao dono quanto custava O velho atento ao deslumbramento do rapaz resolveu presenteá-lo Surpreso, o rapaz agradeceu e imediatamente levou o objeto pra casa Chegando em seu quarto, deu corda na caixinha e pôs de pé a bailarina Ficou durante minutos observando e escutando Encontrou então uma imensa paz, que a muito não sentia Ele a deixou em cima da estante para tê-la sempre perto de si Bastava abrir sua caixinha para assistir um espetáculo particular Foi assim durante muito tempo, até achar que tudo aquilo era sempre igual A mesma coreografia, a mesma música, que sempre levara ao sono Resolveu deixá-la ali mesmo, na estante, lhe servia como mera decoração Antes de dormir olhava o relógio e ao lado, a caixinha permanecia fechada Ele sabia que a bailarina ficaria la, só não sabia em que ela podia se transformar Certo dia, ao sentir-se triste resolveu abrir a caixinha de música Ela estava empoeirada, a bailarina totalmente sem brilho, sem cor Após dar corda, ouviu uma música rouca, quase silenciosa Pode então perceber como aquele velho objeto que nada lhe custara tinha valor Já era tarde e nada podia fazer, toda a beleza esvaiu-se Logo que amanheceu, voltou à loja de relíquias Implorou ao velho que restaurasse o presente que lhe dera meses atrás O dono da loja encheu-se de melancolia ao ver a bailarina Em seguida disse que o objeto havia sofridos sérios danos Tentaria concerte-lo, mas, demoraria certo tempo Além de tudo, não podia garantir que ela voltaria ao seu estado de antes Talvez não recuperasse as cores, a melodia, o brilho, os movimentos Ao retornar à casa, encontrou pousando sobre a estante, a culpa, a saudade Desde então ele segue pelas mesmas ruas e sempre pára em frente a loja de relíquias Na esperança de um dia encontrar novamente sua bailarina, rodopiando como na primeira vez que a viu.
No pensador.ai desde