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Frase de Brazchi

Unilateral Naquela tarde de dezembro, não achei que fosse nosso último abraço. Você nem se recorda, mas eu me lembro; a sua voz é a única lembrança que ouço. Se soubesse que seria o último beijo, teria desejado aos céus para torná-lo eterno, para que o presente não fosse tão morno. Ele daria um jeito. Ainda olho para as pedras chutadas no verão… Você consegue contá-las em minutos; eu, não. Eu me perderia, pois contaria também as lágrimas no chão. Inevitavelmente, contabilizaria-as também, mesmo que só você as tenha chutado. Está tudo bem. Talvez elas tenham te irritado. Ah, se eu tivesse a sorte de saber que seria a minha última olhada, guardaria meus olhos numa caixa e os colocaria num cômodo sem energia. Eles estariam mais contentes, pois não fariam sofrimento ao amigo coração, que, vendo-te passar, lamentava-se em vão. Mesmo assim, nada mudaria. Você saiu. Sei que não está aqui, que não haveremos de criar memórias, sei que não terei tuas carícias.

Brazchi

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Pensador.com

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O canto do sabiá espalha sua cor; Campos, rios e lagos festejam com alvoroço, Vivem a vida sem qualquer esforço;
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O canto do sabiá espalha sua cor; Campos, rios e lagos festejam com alvoroço, Vivem a vida sem qualquer esforço; Os homens que o escutam têm o coração tomado pelo fervor. Os pássaros gorjeiam uma mimese; Os humanos tentam reproduzi-lo em cordas; O campo despreocupa-se de qualquer tentativa de síntese; Os lagos, cansados pela monotonia, atentam-se às ondas. Pergunto-lhes o motivo do enlevar, Se todos, à sua maneira, conseguem gorjear. Desde aquela vez, não houve mais sabiá; Cansado da ninharia que ali havia, não gorjeou mais cá. Nunca mais cantou o sabiá.

Tinha comigo a melhor das rosas, A mais linda das flores. Junto ao meu corpo, conduzia um regador.
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Tinha comigo a melhor das rosas, A mais linda das flores. Junto ao meu corpo, conduzia um regador. Regava-a até o seu florescer. A rosa, ainda tímida, encolhia-se quando via perigo. Contudo, levantava as pétalas quando via seu amigo. Faça Sol, faça chuva, ele sempre estava lá para a regar. Quando a tristeza batia, a flor, de sua mão, nunca saía. Ela dava-lhe o seu olhar. A lua cheia daquele mês avisou da sua chegada; O rapaz - com ânimo excepcional - beijou-lhe a mão para irem ao encontro da convidada. A flor aceitou com um grande pulo de alegria, chocando assim os olhos daquele que lhe propôs o divertido encontro. A flor e o rapaz correram pelo vale campestre e escorregaram no campo. A moça - comovida com tudo aquilo - gargalhou um canto. O rapaz - com os olhos presos ao fio que a prendia - sorria para a situação. Ela levou-lhe sua mão; ele beijou-lhe mais amavelmente que antes. Eles dançavam, Eles se amavam, Eles riam, Eles se viam. A noite se foi como o sopro de uma forte ventania; Os dias - carregados por um coche - não paravam para deixar seus cavalos aspirarem o ar, que lhes dava energia. A moça não o via mais com tanta frequência; O rapaz - tomado por um ato de desespero - pedia-lhe a mão para correr pelo céu. Ela não o respondia da mesma maneira. Ele enviava-lhe cartas recheadas, mas, de sua querida, recebia meia dúzia de letras. Os pássaros pararam de gorjear, mantiveram-se quietos em respeito à lucidez daquele que, com sua voz, ajudava-lhes a cantar das mais diversas canções. As árvores - cuidadas e podadas todo ano por ele - encontravam-se turvas, em luto por aquele que lhes dedicava tanto zelo; suas folhas murcharam e destacam-se dos galhos que lhes davam sustentação. O campo - que costumava ser rodeado e cuidado pelos lindos animais e pela cadeia alimentar destes - perdeu suas gramíneas, sua vivacidade e aquilo que mais temia: aqueles que, em seu solo, desfrutaram da mais bela benção que o ser humano é capaz de ser presenteado; em compasso com os outros, observava o rapaz e o lia. O jovem - em prantos com a vida que levava - prostrou-se no chão e suplicava a Deus com a mão no coração. “Por que me deste aquilo que tanto Te pedi para que, com uma frieza cruel, tirar-me?” O cenário convergia sua visão àquele que implorava por respostas. A partir deste momento, tudo estava íngreme. “Por que quando experimento da felicidade dada pelas Tuas mãos, tu a tiras de mim? Então, Pai Celestial, meu Deus, por que me concedeste a dádiva do amor se tinha em Tuas mãos, Pai, um fio amarrado em Teu mindinho para puxá-la de volta a Ti?” As aves - com as penas caídas e descoloridas - aconchegaram-se no rapaz, que, naquele instante, com as lágrimas na mão e regando o chão com elas, era dominado pela mais intensa sanha. Ele batia contra o chão; o campo soltava um gemido doloroso a cada vez que sofria, mas não se importava, pois aquele que mais lhe regou se sentia desconexo com aquele que lhe deu a vida. “Diga-me, Senhor dos Céus, com qual objetivo Tu me sopraste com a vida? Fora para teres o luxo de me ver o sofrimento alheio?” “Por qual razão, Deus, Tu, com um arsenal infinito de força, fazes da minha vida um grande paraíso para o Diabo?” O campo, as aves e as árvores, todo o meio campestre derramava o gelo derretido de suas faces. O jovem - ainda prostrado - prosseguiu com um longo silêncio. Ele estava sem meio, Enxugando as lágrimas, caminhou para longe. Não se sabe em qual sege adentrou, mas que a razão não é mais aquilo que o tange. Ele desmoronou sua estrutura no campo; Este - gentilmente - enrolou-o num grande cobertor que lhe protegeria do frio que ali costumava a castigar. As aves lhe beijaram o lábio; As árvores, suor que escorria em seu olhar; O campo, o braço que costumava regar. O céu, cansado de tanto azul, se esvaiu.

O rio segue seu curso. O rio leva, consigo, seus peixes. Leva-os para cada vez mais fundo.
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O rio segue seu curso. O rio leva, consigo, seus peixes. Leva-os para cada vez mais fundo. Há rios em desuso. Há outros que atravessam o mundo. Vi e vivi muitas vezes. Par Deus, que água gelada! É quente, mas também fria. Que peixes lindos! De onde são vindos? Cadê a dama que, nos meus dias de glória, para mim sorria? A água está gelada, muito gelada. O Sol aquece o rio; O rio esquenta. Por que não aparenta? O que ocorreu para haver o desvio? Os outros reclamam da água quente. Afirmar-lhes-ia que está gelada. Engraçado o que cada um sente. Está gelada. Para mim, já se manifesta congelada.

Pequeno Pintor Uma tela pintada de azul, Com árvores murchas e frutos azedos,
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Pequeno Pintor Uma tela pintada de azul, Com árvores murchas e frutos azedos, Os quais não conseguem ser segurados nem pelos dedos, Um lugar que quem viu mentiu. Uma moça com olhos cor do âmbar adentrou, E, no cenário, tudo revirou E, para a sua surpresa, nada de bom encontrou. Olhando tristonha aos arredores, Onde secos eram os rios, Onde nada tinha fantasia, Muito menos alegria. Surpreendeu-se ao ver um jovem pintor segurando o coração E começou a pensar sobre o que fazer nessa situação. Carregando toda a meiguice, deu-lhe a mão Onde o rapaz depositou todas as suas esperanças. Tirou do peito aquilo que segurava e entregou-lha. Nesse instante, era ela a sua crença. A dama indagou-lhe: “Meu pintor, quem te magoou?” Relutante, devolveu: “Como a notícia te chegou?” Com simpatia, respondeu-lhe: “No momento em que me entregaste as tuas crenças, havia proclamado também que desacreditaste da paixão.” O pintor apenas suspirou: “Oh, não...”. Os dias se sucederam; Os pigmentos azulados se perderam. Desde a chegada da jovem, o Sol tornou a ficar amarelado; Depois de ele por ela ser amado. Os luares, agora, teciam a sua felicidade; Os risos abertos e barulhentos compunham parte do seu dia, Enquanto, de perto, a via. A esta altura, já estava familiarizado com a nova realidade. A sege desenhada os levava perdidamente. Ambos não tinham lugar destinado. Finalmente, soltou-lhe aquilo de diferente. A amada, moldada pela alegria, disse que, por ela, era amado. No dia seguinte, encostou-se no Pintor E tirou-lhe a dor. Para ela, o mundo prosseguiu, Enquanto, para ele, parou. Acordado, encontrava-se sem a deusa da sua benção. Próximo ao chão, chorava as lágrimas de Adão. Arrastando-se, tentou pegar-lhe o pé, Mas, dela, só recebeu um pontapé. Berrando, clamou pelo vulto do espírito; Porém deste já estava restrito. Pobre coitado. O azul reapareceu; Sua amada desapareceu, E ele, por ninguém mais, era amado.