Pular para o conteúdo

Frase de Carlos de Castro

PEREGRINAÇÃO Ele... Ontem, ao cair da noite Saiu do mundo sem destino Nem lua, só ele num afoite Para beber tempos de menino. Saltou caminhos, subiu montes E relembrou visões fantasmagóricas E sons de corujas a beber nas fontes Das suas memórias pitagóricas. Cansado, sentou-se numa pedra Que teimosamente ali estava Desde os tempos da sua medra Como marco da sua vida brava. Viu e chorou o casebre onde nasceu E o espetro das casas das avós eternas No vazio de já não ver o céu Dos tempos de um ontem que morreu. Meteu pernas de volta, mas não sozinho Levava então com ele para casa Naquele breve e longo caminho Os lugares e rostos dos idos em brasa.⁠ (Carlos de Castro, in Argoncilhe, 21-06-2022)

Carlos de Castro

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Carlos de Castro

⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
Continuar lendo

⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
Continuar lendo

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)