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Frase de Carlos de Castro

⁠OLHOS MORTOS Quando te beijei naquela manhã, Trazias nos olhos um regato de água, Seco. Estéril. Forjado. Senti em ti rios de desprezo Subtis, Hostis, A correr sem destino, Mal cheirosos, Pelas margens do teu rosto, Dos teus olhos covardes, mortos, Por não olharem os meus. Na sede que eu tinha da tua água, Nem reparei que a tua estudada mágoa Se misturava com o PH da tua acidez, Sempre que queres magoar quem te fez. Minha querida estátua que já és Para mim tão absorta e estarrecida, Nas tuas gélidas palavras sem sortida, Um ser que não conheço nem de frente Nem já de revés, Eu que fui o obreiro da tua própria vida. Um pai, já dizem não valer de nada Agora neste mundo podre, sem guarida, Houvera tempo de vida atrás voltada Que nunca eu te geraria, nem cerzida. (Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 31-07-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)