Frase de Sérgio Júnior
CENTELHA Não é preciso quantificar Nem avidamente medir, Ou demonstrar, nem competir Escape da necessidade de elogios ou aplausos Tamanho, profundidade, expansão As medidas para fazer distinção. Não se seduza com números Tampouco com os troféus Entenda que a centelha é sentida e compartilhada Não uma disputa de egos, medonha, pesada. É sobre conexão, entrega e ternura É sobre sentir sem medir, é fogo, loucura. Entenda que é energia contida Esperando o momento de agir Na chegada ou na partida E nem sempre dura Mas é suficiente para marcar a vida E por muitas vezes, é a cura. Um sorriso aleatório e o abraço, Inesperada candura Sem pretensão de ser santa recatada ou pura. Porque a humanidade é isso, É pecado, é desejo, é fricção. É um erro? E onde está a perfeição? Nós usamos um véu, O do sacro, cristão, Mas se formos sinceros de coração, Queremos mesmo é a louca aventura A tal emoção... A que não pede licença pra entrar, Nem avisa quando vai embora. E às vezes, nem quer ir Chega de mansinho ou de rompante, Num olhar cruzado na rua, Ou na mexida do cabelo que fala mais que um livro, Não tem nome exato, não cabe em definição. Sem promessa, sem roteiro, sem amanhã. Apenas duas almas se reconhecendo no meio do caos. E a gente tenta domar, Colocando regra, nome, medo. Diz que é pecado, diz que é errado, Que não devia, que não combina Mas no fundo, bem no fundo mesmo, O coração sabe: é exatamente isso que precisa. Então que venha bonito, o beijo roubado na esquina, O tapa na mão-boba, o susto com um quase rir A admiração e o néctar das glândulas de Bartholin Que venha o corpo falando alto, o suor, o tremor, o suspiro Que se derrame em mim Porque a perfeição é fria, é estátua, é museu. A gente quer é fogo, calor, Que nos perdoe, Deus E quando tudo apagar, Porque tudo apaga, Foi bom enquanto foi Sem peso, sem culpa, Com um sorriso de quem o jogo entendeu. Ficará a certeza quieta de que não precisamos medir. Se foi azar ou festa. De que não precisamos de troféu para saber que valeu. De que a nossa vida, É mesmo essa bagunça sagrada, Se faz exatamente assim: Com o desejo e o adeus, O fogo e a cinza, Com o talvez nunca mais E o talvez amanhã E se amanhã acender de novo Que não haja hesitação. Que a gente se jogue mais uma vez, sem mapa, sem medo, sem fim. É o mel e a abelha É fogo e centelha.
No pensador.ai desde