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Frase de Marcelo Caetano Monteiro

LITURGIA DO AMOR QUE NÃO VOLTA. Capítulo V - LIVRO: DOR DA MINHA DOR. Autor: Marcelo Caetano Monteiro. Ano: 1995. Em minhas mãos há muitas mãos. Nenhuma é inteira. Todas tremem. Escrevo como quem toca uma ferida antiga que jamais cicatrizou. O amor não partiu. Ele permaneceu distante. E a distância é mais cruel que a morte. Há um amor que não passa porque nunca se foi. Ele apenas se deslocou para um lugar onde a memória não alcança e o corpo não suporta. Desde então carrego no estômago um vazio que dói como fome etérea. Não é ausência de pão. É ausência de alma. A noite entra pelos olhos, é linda. Não pede licença. Ela se senta ao meu lado e sussurra o que perdi, não, não foi um assassinato foi um suicídio. Cada lembrança é um sino fúnebre tocando dentro do peito. Cada silêncio é uma pergunta sem resposta, corta o segredo do nosso silêncio. A tristeza aqui não grita, não é preciso é existência. Ela se ajoelha. Ela reza com palavras quebradas. E eu me ajoelho com ela porque amar assim exige humildade diante do irreparável realizado por nós. Meu amor não foi um erro. Foi um excesso. Amei com tamanha profundidade que o fôlego do mundo se tornou insuficiente para contê-lo. Quando partiste algo em mim continuou indo ao teu encontro todos os dias,todos os dias... Há dores que não querem cura. Querem testemunho. Esta é uma delas. Carrego o amor como quem carrega um cadáver querido nos braços como judeu errante da profecia. Não o enterro. Não o abandono. Aprendo a conviver com o leve peso. O coração já não bate. Ele ecoa. Cada pulsar é um chamado que ninguém responde. Sei que este amor não terá redenção no tempo e nem no vago. Ele pertence ao domínio das coisas que só existem para doer com beleza. E é por isso que volto a estas palavras. E voltarei aqui quantas vezes me doer e me querer esse amor. Suas veias finas, lindas nessa pele translúcida, é nelas! É nelas que eu leio-as outra vez uma impossível esperança. E outra vez. E outra vez me perco de mim em teu roubo fácil de mim mesmo. Não paramos esquecer, estranho, o nada não tem vez aqui. Mas para manter viva a única forma de eternidade que me resta. É admitir-me imortal em humilde homenagem a dor fiel que me ama mais, e sempre mais além de mim.

Marcelo Caetano Monteiro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Marcelo Caetano Monteiro

" Quem faz e erra aprende mais rápido do que quem apenas observa e aponta falhas. "