Frase de Paulo César de Miranda
UMA VISÃO, PESADELO Ela era velha, simples e horrenda. Unhas compridas, cabelos grisalhos, Voz semi-rouca, veste em frangalhos. Tinha um olhar temível e frio, Da boca, gemidos qual foz de um rio, Amedrontavam, distantes pássaros no ninho. Sua cabana agreste e escura, Coberta de palha, escorada por lenha, Ao centro de uma sala, uma mesa jazia. Por cima, um signo: a serpente da magia. Ao lado, um quarto, um altar e esteira, Onde suas preces não eram de uma freira. Falou-me tudo, de tudo: Do nascer, do morrer. Do homem, a ignorância Haveria de sofrer. Meu presente e meu futuro, Sim! Um pouco eu pude crer. Falou-me, ainda, sua voz sempre rouca, Das provas que eu um dia iria sofrer, Das lágrimas que eu chorei por tudo, De momentos que eu vivi por nada. Meu futuro... prometeu A felicidade que eu a conheceria. Doze badaladas ouvi tocar; Gargalhadas, gemidos, árvore a se agitar. Já se foram os espíritos – disse; Só resta um altar. Nele uma velha que o mundo desconhece Flertou comigo por um tempo E fez o meu sonho despertar...
No pensador.ai desde