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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

DEUS EXTRAQUADRO Há um deus complicado, metódico e burocrático apresentado por greis. Parece uma estrela de cinema: Quem quiser que o busque nas alturas. Galgue os degraus da prece, do elogio e do louvor. Fure o cerco dos assessores ou santos, para suplicar bênçãos que uma boa mãe, um pai, um grande amigo terreno dão de bom grado, sem nenhum ritual ou convenção. Nenhuma exigência de quesitos como fé, lealdade cega, sacrifício e crença dogmática. Mas há um Deus que me atrai nos seres humanos que amam sem ter que amar. Fazem o bem sem mandamento. Religiosos ou não, crentes ou ateus, refiro-me aos homens e as mulheres de boa vontade ou índole, que são e seriam dessa forma conhecendo ou não as escrituras sacras. Pessoas capazes de promover a paz e prestar solidariedade sem qualquer interesse no paraíso e nenhum temor de fazerem jus ao inferno, se forem diferentes. Eis o Deus em que acredito. Esse que alcanço fisicamente ao tocar a face de uma criança e sentir as mãos de um velho... Ao abraçar um amigo e ter prazer com a mulher que amo. Um Deus extraquadro, que as paredes dos templos não garantem. Podem tê-lo, mas não detê-lo, pois Ele pertence a corações de bem; mentes livres; espíritos desarmados... É nessa criatura, o próximo, e não no criador incógnito, abstrato e distante, que acredito.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.