Pular para o conteúdo

Frase de João Pedro Almeida Soares

⁠"Hoje é Quarta Um dia sim e um dia não Não próximo do Dia do descanso dos homens Nem perto da partida para a Guerra Nas temíveis segundas-feiras Hoje é um dia no meio dos dias Um dia pra se viver no meio Na linha tênue entre o que Você é E o que realmente precisa fazer Embora eu ainda não saiba O que realmente sou Sei que hoje é Quarta-Feira Um dia que vem após Terça, porém Após todos os outros e inclusive Outras Quartas-Feiras Hoje é A quarta-feira A única que existe, mas não a única que já existiu Não sei se a longo tempo Em quarta, quinta, sexta, ou se inventarem Uma sétima-feira Terei descanso Ou o prazer de trabalhar Com o consenso de que acima de tudo Ainda sou feito de carne E apesar de complexo E abstrato Ainda sou um milagre E não uma bagunça Mas não se enxerga um milagre Quando ele é um fator Pois cada ser humano é uma utopia A falha, a não existência é que tende a ser uma raridade iminente Fugir dela é também um milagre Como considerar então um milagre Se é tão comum Ver seu filho nascer Mesmo que não hajam forças Nas veias e nem dinheiro nos bancos em meu nome E nem a coragem no meu peito de dizer a esta criatura "ei, você é um milagre, um acontecimento improvável, mas que pela lei natural das consequências, está aqui, vá, ande, corra, caia, mata ou morra, será sempre um fruto, um produto e um alicerce O que dirá eu Que nada sou além De um produto que antes era E agora nada mais é que um peso Estagnado no tempo Fútil Sem razão E com a moral de um menino bobo Que finalmente entende que o que chamava de pódio Agora Nada mais é Tudo o que me obrigaram A ser apenas por prazer próprio Me prometendo rios de felicidade Em campos quais não cultivei o que realmente importa Eu não conseguiria olhar para aquele pedaço de acidente E dizer "Bem-vindo ao mundo, és especial" Embora seja Embora não Eu vou partir E pra sempre, sem razão Terás que lidar com a dor De não ser mais que um peso estagnado No ar, parado no tempo Fruto das consequências Escravo dos menos prováveis de estarem acima E quando eu, aquele que diz que o universo A galáxia As estrelas que morrem e nascem Mas que sempre brilham felizes Não importam nada perante você Quando o velho já quase carcomido Lhe disser isso Antes de se tornar nada Além de um vão entre destinos Lembre-se Que você já não era mais que Um mero rapaz Um mero fruto Brasileiro Do acaso Um mero réu a ser julgado pelo que achava precisar fazer E quando se pegar sentado, contemplando o peso e a leveza Deste leve pesado fardo de ser o que você é Embora suado, embora feliz, embora triste, embora agitado, ou correndo contra o tempo, ou chorando baixo por debaixo da mesa Ou se entregando à carne, ao cheiro, ao suor alheio e as curvas de uma mulher qualquer, que nada quis além de usar-te como um cigarro E não enxergar atrás dos próprios olhos Verás que Ainda é quarta-feira Um dia após Terça-Feira Não perto do descanso dos homens Não perto da partida para a Guerra Na temivel Segunda Ainda é Quarta Seja ela a sétima A oitava A nona A décima A terceira milésima quadringentésima Quarta [...] Quarta Ainda Felizmente ou não É Por tudo Por via de regra ou não A droga de uma Quarta-Feira."

João Pedro Almeida Soares

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de João Pedro Almeida Soares

⁠Ele olha pro lado Olha pro outro Cadê?
Continuar lendo

⁠Ele olha pro lado Olha pro outro Cadê? Cadê quem tava aqui? Eu quero saber onde morreu Afonso Nonato de Moreira Jesuíno da Silva Babuíno O IML tava lotado Era o meu sangue por toda parte Roubaram a cabeça do proletariado O barão de Limousine fez sua arte Me jogaram na platéia de estardalhaço despedaçaram a minha camisa O Brasileiro agora é o descamisado E o palhaço é o pai de família Juntaram uma quadrilha de vagabundos Com o umbigo estufado e peito erguido Segregaram as fronteiras de um novo mundo Fizeram da minha luta um tempo perdido O pódio é mais um produto do ódio No viaduto do existir No cume da matéria guardam revolta Um dia o lixeiro volta a sorrir Se come caviar de cima do teto Se torce de amargura num botequim Cheiro de esgoto a céu aberto Um pobre pedinte olhou pra mim O cristo redentor de braços abertos mostrando o sacrifício de uma cidade usam telha barata encima dos tetos e matam o mais fraco por pura vaidade Eu quero saber qual é o seu nome E o nome da sua campanha Será que um dia já passou fome? Ou ficou endividado por uma semana?