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Frase de KaoMoreira65

O tempo nos instantes da vida Imagino que a passagem do tempo não seja constante Um moto contínuo em velocidade constante E, em que pesem equações e teorias, O que vejo são instantes entre um agora e um depois. Separando momentos vividos, emoções, sentimentos. Assim como os átomos formaram a matéria Os Sentimentos deram significado a nossas vidas Tornaram-nos o que somos. Um conjunto de informações sensoriais e emocionais Intercaladas e subsequentes ao longo do tempo. Em algum lugar acima de nós, Imagino, paira um backup. O conjunto das vivências de todos nós Informações de tudo o que fomos e realizamos E a partir das quais podemos vir a realizar Um arquivo atemporal e impessoal Acessado sempre que olhamos prá cima Em busca da solução para um problema Ou num Dé Javu, a sensação de já ter visto. ou vivido, Uma lembrança do passado São lembranças indefinidas Para além da realidade presente Acessadas e entendidas num átimo Em linguagem pictórica Que rodam tipo Lives em main streams, Nesses momentos o tempo passa Como os discos long play Nos escaninhos do sebo que visito, Onde relembro datas, fatos, sentimentos. Folheando as capas dos discos E Ligo músicas aos lugares, momentos e emoções E de repente viajo lá prá cima Em lives de momentos vividos Trago o ontem pro agora Numa sequências de Sons e Imagens de selfies encadenadas Uma linguagem instantânea Com tudo vindo num flash Na velocidade do pensamento No ritmo das canções... (Musica incidental, In my Life - Beatles)

KaoMoreira65

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Pensador.com

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Para Jane... “Dentre muitas coisas que não fiz, algumas delas me entristecem, a jura secreta que não fiz, o beijo de amor que não roubei...”
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Para Jane... “Dentre muitas coisas que não fiz, algumas delas me entristecem, a jura secreta que não fiz, o beijo de amor que não roubei...” Adaptado do poema “Jura Secreta”, de Sueli Costa e Abel Silva. Era um dia qualquer de Agosto de 1965, no intervalo de aulas da classe do terceiro ano primário. Aguardando a Prof.ª Terezinha a qualquer momento, um grupo de alunos entra e sai da classe aproveitando o momento. Sentado na segunda carteira da fila do meio, copiava atrasado, a tarefa da lousa, com um olho no peixe outro no gato. É que pelo canto dos olhos observava o movimento na porta. Era você indo e vindo, com aquele seu sorriso lindo, emoldurado por tranças Maria Chiquinha, Blusas brancas, saia plissadas e meias ¾..., brancas. Dali poucos anos, saberia o porquê do atraso em copiar o texto da lousa... e também o de uns pensamentos marotos sempre que espreitava um desvão por entre os botões das blusas. Me lembro do calor que subiu, quando me levantei e fui até você decidido, e lhe entreguei aquela cartinha com uma letra de música modificada, inspirado por você. Vou levar comigo para sempre a imagem de seu rosto, seu cheiro, o calor de seu corpo, de tão perto que estava. Me lembro ainda, pouco antes de virar estátua, de sua espontaneidade, dos seus olhos buscando os meus, questionando-me ali.. No breu...cara a cara. “Você fez prá mim, fez?”. (Com o olhar de cima, como a induzir a resposta), Hoje compreendo o que foi aquele “turu, turu” no meu peito. Era seu coração cutucando o meu, prá dizer...- “Diz que sim, vai...” Ah Jane! Vocês meninas, sempre a frente dos meninos! Enquanto brigávamos por bolinhas de gude, vocês já estavam fazendo casinhas, conversando com “kens” imaginários e vestindo roupinhas nas bonecas... Perdoe-me por amarelar e fugir daquele olhar... Sei que esperavas um “sim”... Eu também... Em minha alma de menino, do alto dos meus dez anos de então..., me senti nu, como que lido por dentro. Não atinei para o que hoje lembro com clareza ter sido você a primeira a me provocar o olhar prá enxerga-la de um jeito diferente. Você despertou instintos adormecidos. Fez-me imaginar coisas do não sei o que, vindas não sei bem de onde e despertaram sentimentos desconhecidos até então. Junto com sua doce lembrança, um temor, um lamento. O de ter estragado seu momento também. De que você, assim como eu, por um capricho do destino também estivesse despertando. E esse momento estivesse marcado num despertador, ajustado lá atrás, num tempo em que ainda éramos genes se organizando para nos tornar o que viríamos ser. E assim tivesse sido eu, causa de frustração prá você! Um dia antes daquele apagão fatídico, fazendo as tarefas ao pé do rádio, ouvi aquela música do Roberto, Sei lá, de repente procurando entender a letra, pensei em você. E rolaram imagens suas junto com ideias ainda por amadurecerem. Não pensei duas vezes, passei a tarde buscando em outras rádios, anotei a letra e a modifiquei, como a conversar com você. Naquela noite não dormi! Pensando no momento de entregar e ter um pretexto para ficar ali pertinho de você, ver sua reação enquanto lesse... O que diria... E o que viesse depois seria como atender um chamado, mesmo não tendo a menor noção de prá que seria...Só sei que queria. E fiquei ali olhando prá você... E agora? E quando perguntou, deu tilt, não reagi, fiquei ali, “de dois de paus”. E diante do seu olhar perscrutador, eu tremi...! E nada disse. Hoje, cá com meus botões, penso naquele tempo e digo prá mim mesmo como se estivesse lá... Sim, Jane, foi prá você que fiz! Foi pensando em você e eu... (E num relance, aproveitando o vacilo, lhe roubaria um beijo) Hoje, sei que nenhuma força nesse universo pode trazer de volta aqueles momentos de pura magia, do despertar... do descobrir, o que algum tempo depois compreenderíamos o quê. As emoções que não conhecemos naquele dia, embora lamentadas na lembrança, com certeza nos prepararam para muitas outras tantas que viríamos conhecer depois...