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Frase de Eu mermo

Se o arrependimento matasse, não restaria sopro algum sobre a terra — nem vento, nem voz, apenas o silêncio pesado de tudo o que poderia ter sido diferente. Carrego comigo essa estranha sina: a de nunca pisar sem antes duvidar do chão, a de nunca falar sem antes ensaiar o eco do erro. Cada gesto meu nasce já cansado, como se soubesse que será revisto, revirado, remoído até perder o nome. Penso antes, durante, depois — e, ainda assim, falho na paz. Há sempre um segundo pensamento que corrói o primeiro, um sussurro tardio que diz: “não era isso”, “não assim”, “não deveria ter tentado”. Minhas palavras saem vestidas de despedida, como se cada uma carregasse em si um pequeno morrer — o morrer daquilo que poderia ter sido dito melhor, ou calado por inteiro. E então me recolho, refaço diálogos que já não existem, reescrevo frases em um tempo que não volta, tentando salvar, em atraso, o que nunca esteve seguro. Se o arrependimento matasse, eu já teria partido incontáveis vezes. Mas permaneço: erguendo versões de mim sobre os escombros do que pensei ter errado, pintando o quadro da aquarela de meu engano e soprando o vento do meu amago. E, ainda assim, há um sopro teimoso em mim que insiste em continuar, mesmo sabendo que amanhã também haverá dúvida, e então depois, e depois.

Eu mermo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Eu mermo

Meus olhos se abrem com estranheza, não reconhecendo o meu entorno, sem conhecer aquele sorriso largo que está brincando entre meus lábios com ironia; Sem entender o motivo que minha mente tanta divaga em qualquer coisa que não seja eu; sem compreender o motivo de tanta angustia…
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Meus olhos se abrem com estranheza, não reconhecendo o meu entorno, sem conhecer aquele sorriso largo que está brincando entre meus lábios com ironia; Sem entender o motivo que minha mente tanta divaga em qualquer coisa que não seja eu; sem compreender o motivo de tanta angustia mesmo quando tudo parece bom. As crises sempre voltam e junto com aqueles pensamentos, que são como adagas pequenas fincadas em meu dedo mindinho. Pequenas, quase bobas mas ainda, dolorosas e insistentes, me fatiando por dentro e me tornando cada vez menos eu.

Me aproximo do teu corpo como quem tenta voltar para dentro de si.
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Me aproximo do teu corpo como quem tenta voltar para dentro de si. Mas há sempre algo errado: um pequeno atraso entre o toque e o sentir. Tuas mãos me encontram com uma precisão que me assusta. Como se soubessem de mim mais do que eu. E eu deixo. Deixo que percorram o que ainda reconheço como meu, mesmo quando tudo já parece distante. Seu toque é a fugacidade que procuro, no instante que pulo e não me encontro. Foi a porta de entrada para todos os nossos planos, terminando sempre no frio do teu abraço, embora algum dia fosse calor...

Folheando aquele antigo álbum de fotos que carregam mais do que somente imagens, lá, há uma vida vivida de forma tão única e linda que ofusca o agora. Deve ser por isso que quase não há quem pouco lembre e muito age, sempre terá aquele dia onde tudo dirá para você amar, viver e c…
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Folheando aquele antigo álbum de fotos que carregam mais do que somente imagens, lá, há uma vida vivida de forma tão única e linda que ofusca o agora. Deve ser por isso que quase não há quem pouco lembre e muito age, sempre terá aquele dia onde tudo dirá para você amar, viver e continuar; mas os restos dos dias continuam os mesmos: cinzas, frios e com o odor envelhecido do meu antigo perfume favorito, aquele que espirro pela casa para tentar me recordar por que ainda vivo. Em falar em perfume, ainda me volta a memoria o cheiro que reverberava pelo ar na primeira vez em que te vi. O doce de seu sorriso imbuído no agridoce de seu perfume, a lembrança, ironicamente, ficando cada dia mais amarga e dolorida, trazendo consigo a verdade a qual tanto tento me esquivar, o som que tanto finjo não escutar, e a vida que invento para não admitir a que ficou para trás.

Minha mente tem a incrível capacidade de notar algo maravilhosamente simples: o carvão antes do diamante; o choro antes do sorriso; o luar antes do amanhecer. Apesar disso, me falta o tato de reconhecer, de dar valor, de sorrir mais uma vez e não apenas ver; mas entender. Ainda n…
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Minha mente tem a incrível capacidade de notar algo maravilhosamente simples: o carvão antes do diamante; o choro antes do sorriso; o luar antes do amanhecer. Apesar disso, me falta o tato de reconhecer, de dar valor, de sorrir mais uma vez e não apenas ver; mas entender. Ainda não tenho a maturidade de inclinar o rosto para analisar e não julgar, falta-me a vontade de expressar e compreender, ao invés de simplesmente acenar a cabeça e seguir. Necessito da capacidade simples mas essencial de deixar o olhar ficar por mais alguns segundos, me permitindo enxergar o que há de melhor, ou o melhor que há para se ver. Foi assim que perdi você, aquele que ainda vejo no espelho mas não reconheço, não enxergo o algo maravilhoso ali, somente o simples, banal e finito ser que não desejo mais. Condenado a ser efêmero, me perco no passar do tempo e me vejo vencendo junto com os ponteiros do relógio da vida; Como a criatura com prazo de validade que sou, após tanto tempo, venço, não do jeito que eu queria, mas do jeito que me faz perder o sabor e sobrar o gosto amargo da dor.