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Frase de J. Freitas

De tanto em tanto, é um dia a mais e um dia a menos. O tempo consegue passar tão rápido que algumas páginas da minha vida saem incompletas. Era para estar escrito 'felicidade', mas só deu tempo de escrever 'idade'. Mas eu escrevo de trás para frente? Às vezes sim, só pra combinar com a minha vida de cabeça para baixo. Alguns trechos saem sem sentido. Mas nem sentido quero ou preciso pra viver. O dia nasce cresce, reproduz e morre e ninguém questiona. Alguns personagens vão ficando obsoletos, embora tenham sido protagonistas outrora. Começa-se a atribuir mortes épicas em respeito aos bons tempos. Ainda assim são mortes. Defuntos de lendas valem menos do que as próprias lendas. Enredos a parte, era para estar escrito numa página qualquer 'sucesso', mas saiu apenas 'cesso' (lá vai ele escrever de trás para frente). Cesso projetos antes mesmo de começá-los. Não é como se eu tivesse encontrado a cura para o câncer, mas para as feridas da minhas alma já cheguei perto. E mais uma vez a vida faz graça com a minha cara. Eu queria ter escrito 'realização', mas só deu tempo de escrever 'ação'. Mas qual?

J. Freitas

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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De tanto falar em vida, espera-se viver mais intensamente. Comigo já não ocorre sob tamanha trivialidade. Falo de vida para ter do que falar de forma convicta, descomprometido com o resto. Falo de vida imaginando como ela seria, ignorando o que ela é. Falo de vida sob os acordes…
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De tanto falar em vida, espera-se viver mais intensamente. Comigo já não ocorre sob tamanha trivialidade. Falo de vida para ter do que falar de forma convicta, descomprometido com o resto. Falo de vida imaginando como ela seria, ignorando o que ela é. Falo de vida sob os acordes do tempo e o odores do acaso. Faço sim, pouco caso de quase tudo. Vida não foi feita para se levar tão a sério. Sou constantemente inconstante. O mesmo que diz: "voe!", diz: "pouse". De tanto falar de vida, me condicionei a ver algumas coisas de olhos fechados e boca calada. A vida não foi feita para que retenhamos tudo o que ela oferece. Falando de vida ininterruptamente, acredita-se saber mais dela do que qualquer outro errante. Ora, mas se é errando que se aprende, onde fica a coerência? Não sei se quero mais falar de vida. Quanto mais falo dela menos sei e mais me aproximo da morte. Sorte?