Frase de António Prates
Toda a arte, no futuro, há-de ter na inspiração qualquer coisa de obscuro para ter aceitação. I Do modo que a evolução toma conta dos humanos, de pouco valem os planos por obséquio à união… e no meio da confusão vai-se o génio do ar puro para o negro quarto escuro, onde a arte pouco medra, e será feita de pedra toda a arte, no futuro… II Meu perdão às esculturas, de talento absoluto, oposto da pedra em bruto que citei nas conjecturas destas linhas mal seguras ao fim da premonição, dedicada à multidão que me mostra, na remessa, o que o monstro, sem cabeça, há-de ter na inspiração… III E haverá num só poeta muitos ais enfurecidos, como os cromos repetidos da mais longa caderneta… bramirá todo o planeta os rugidos que auguro, de cabeça contra o muro da fronteira irracional Deixando ver, afinal, qualquer coisa de obscuro… IV Nas árias inteligentes, as notas são escusadas, se o barulho das cabeçadas são graves e estridentes... os sinais são evidentes, ante a turva ebulição, destinada à profusão do humano em estado bravo, e o artista será escravo para ter aceitação... António Prates
No pensador.ai desde