Frase de Eu mermo
Sempre volto ao início. Às séries que já sei de cor, ao filme onde ainda choro, às mesmas vozes que nunca aprendi a calar. Há algo em mim que não solta — correntes invisíveis marcando meus pulsos, puxando devagar tudo que tento deixar. Dou um passo à frente, mas o chão pesa. Um “e se?” se aloja no peito como uma pergunta sem resposta, ecoando mais alto que qualquer certeza. Carrego risadas antigas como quem guarda relíquias, mas são elas que me quebram: memórias rasgam por dentro e levam pedaços meus sempre que voltam. Sinto sua falta mais do que digo. Sinto medo mais do que admito. E desejo o amor como quem precisa respirar. “Sinto muito” — palavras que nunca chegam, desculpas que se perdem no silêncio que ficou. E eu erro de novo, volto de novo, revivo de novo — um ciclo que se fecha antes mesmo de terminar. Confundo passado com presente, visto lembranças como futuro, e me perco no que já não existe. Diziam que a saudade matava. Mas não — ela é mais lenta que isso. É um veneno fraco, escorrendo pelas horas, corroendo por dentro sem pressa de acabar. O passado já passou, o veneno já secou — mas o gosto amargo ainda mora em mim. E, mesmo assim, eu volto.
No pensador.ai desde