Frase de Lavínia Lins
Havia um incômodo ante o silêncio do analista, pois soava como uma ausência. E ausências, por vezes, implicam dores. Silêncios, por vezes, falam de sufocamentos e impossibilidades. Aventurando-se nesse desconfortável desconhecido, depara-se com um tiro à queima roupa. Dessa vez, a sensação de ser deixado ao relento dá espaço à captura que, não sabendo bem como se define, varia entre provocação e amparo. Haveria, ali, um atalho? Talvez ele não saiba por onde se deve ir... Mas parece que diz, sem dizer, que deve ir a algum lugar. Há um novo olhar sobre o silêncio. Ele é um ato, se faz presença. Ele está ali, mais vivo que qualquer abraço, que qualquer palavra, apesar de não trazer na sacola uma resposta-alívio. Ele mexe no que estava quieto, levanta a poeira que vivia por debaixo do tapete, descobre andares inexplorados abaixo do piso. E, ao contrário do nó que antes causava na garganta, hoje, faz o corpo todo esperar por ele, aquele bendito, que o empurra pra dentro de si mesmo.
No pensador.ai desde