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Frase de Victoria Licodiedoff lemos

Eu sou triste Não do jeito depressivo da coisa - Mas como quem tenta, e mesmo assim não consegue mais se deixar iludir pela falsa esperança de que a vida importa, e que um dia vai fazer algum sentido. E parando pra pensar, não faz. Nunca fez. Nunca sequer importou. Hoje, me encontro desiludida, e isso me perturba. Me perturba pensar na vida, e saber que inevitavelmente, com ela terei de me contentar. Que não importa o que eu faça, talvez nada saia do lugar. Às vezes me pergunto se vivo num limbo, Se minha vida pra sempre será estagnada, se um dia eu vou piscar e já vai ser tarde demais pra mudar, Me pergunto se devo sonhar, mesmo sabendo que muitos deles nunca vão se realizar. Me pergunto se sonhar é coragem, ou apenas uma forma de adiar a realidade. Tenho medo de acordar, e perceber que tudo mudou, menos eu. Tenho medo de sonhar, me esforçar ... e ainda sim ficar no mesmo lugar de onde sempre estive. Não quero a minha vida, todo dia contemplar - só quero parar um pouco de pensar. Parar de pensar nos meus arrependimentos, Nas coisas que eu já fiz, nas coisas que já aceitei, Ou nos momentos que um simples pensamento me impediu de ser feliz. Quero parar de pensar no passado, de me remoer por coisas, que já não posso mais consertar. Como se minha culpa lentamente me consumisse, e virasse o único lugar que já consegui morar. Então, sim, às vezes fico triste. Mas não por causa dos arrependimentos, Nem das dores, Nem da incerteza. Às vezes fico triste só por querer estar viva, E perceber que até isso cansa.

Victoria Licodiedoff lemos

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Pensador.com

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Não me sinto infeliz com a vida - Me sinto infeliz comigo. Me sinto infeliz ao olhar no
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Não me sinto infeliz com a vida - Me sinto infeliz comigo. Me sinto infeliz ao olhar no Espelho, E me perguntar onde ficou perdida Minha face. Hoje, não sei Se vejo a vida Através dos meus olhos Ou se tem alguém Usando-os Em meu lugar. Observo minha imagem No reflexo, E fico desesperada. Tentando achar o que sobrou de mim mesma - Pois estou fragmentada, E já não sei mais onde me encontro. Queria saber Em que momento Eu me perdi. Não que fosse adiantar de algo - Mas só pra me ajudar A parar de pensar Que já nasci assim: Tão quebrada. Tão vazia. Tão amarga. Sentindo que vivo uma vida Ao qual não me pertence. Queria poder lembrar de Um tempo, Onde eu sabia quem eu era. Se é que esse tempo, sequer, Chegou a existir. Ou se ele é apenas Mais uma ilusão Tão fragmentada, Quanto eu mesma sou. Por que quando eu tento lembrar de quem eu fui, Na minha frente, Só há névoa. E no chão, Pequenos cacos De alguém que talvez Um dia eu tenha sido.

Quem fica, Quem vai embora. A felicidade é Como um feixe de luz que passa por entre
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Quem fica, Quem vai embora. A felicidade é Como um feixe de luz que passa por entre As árvores. Ela passa, vai embora Desaparece. A tristeza não. Ela fica. E é isso que me torna resignada, Pois sei ao que, eventualmente, Estarei fadada. Em nossas vidas, a tristeza é Companheira – Não é atoa que já nascemos Com os olhos embotados de Lágrimas. É ela quem, desde cedo, Senta-se ao nosso lado. Ficando conosco Até no dia mais solitário. Ela quem aparece, quando Me olho no espelho, E só vejo vidro quebrado. Mas não se enganem – Não sou quem à quer. Ela quem me deseja. E é por ela, que Não vivo mais em paz. Tudo me sufoca. O passado, O presente – Até mesmo o futuro. Meu coração aperta, E minha garganta se fecha – Por coisas que Nem sequer Cheguei a viver. Sinto falta de momentos que Não existiram, Sinto a dor dos que nunca vão Existir. E isso foi a tristeza Que me ensinou. E é por isso que hoje, Quando a felicidade passa, Já não me preocupo Em estender a mão. Pois lá no fundo desse meu imenso coração, Eu já aprendi que a tristeza É a única que fica.

Antes mesmo de começar à escrever, Aprendi à temer. Quando não passava de uma criança,
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Antes mesmo de começar à escrever, Aprendi à temer. Quando não passava de uma criança, Cheia de esperança, Que brincava de boneca, e sonhava em ser princesa. Aprendi cedo demais, Que de fazer maldade, qualquer um é capaz. Que não precisa ser estranho, pra nos roubar a infância, e impedir de ser criança. Cresci com o peito doendo, Tentando curar uma ferida Que eu nem sabia de onde vinha. Vivia com uma culpa que não era minha, E um peso tão grande que minhas mãos tão pequenas não sabiam como carregar. Não conseguia lutar, e ninguém eu tinha pra fazer isso por mim. Todo mundo me dizia: "Deixa isso passar!" E assim, deixei. Mas o que foi embora, não foi a dor. Fui eu mesma quem ficou pra trás. Ninguém ensina Como crescer direito Depois de ter a sina De ser roubada a inocência. Ninguém me contou Como se vivia Depois de ter sido objeto Antes de sequer poder lembrar Que eu existia. Me disseram que o tempo cura, Mas esquecerem de dizer que o tempo também cobra. E que se uma ferida não for cuidada, O tempo cicatriza torto, e a dor nunca vai embora. Hoje, já cresci. Mas não cresci inteira. E sim, com um pedaço de mim faltando. E por isso, carrego comigo um grito antigo. Que não foi ouvido, mas sim abafado.. E isso antes de eu sequer poder entender o que, e por que tinha acontecido. E eu sei que não é justo comigo Carregar sozinha Algo que nunca foi culpa minha. Mas ainda sim, fico em silêncio. E quando a dor chega com força, Eu pego meu caderno e escrevo. Por que essa dor Não vai embora, só ameniza. Por que não tem como não doer, Sendo que eu nunca vou saber Quem eu poderia ter sido. Se eu não tivesse temido, Antes de ao menos ter a chance de aprender escrever. -Victória Licodiedoff Lemos

O tempo. A vida. Às vezes não consigo entender,
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O tempo. A vida. Às vezes não consigo entender, Como passam tão rápido, sem nem ao menos dar-nos chance de perceber. Ontem mesmo, Tremia ao trocar o lápis pela caneta. Hoje, sou poeta, e não sei mais o que fazer. Já tenho de tomar um caminho, fazer escolhas.. Mas tenho medo de crescer. Só queria pedir ao tempo, que fosse um pouco mais indolente. Que andasse mais devagar, E me desse espaço para respirar. Que não me arrancasse da infância, mas que comigo, deixasse ela caminhar. Que não insistisse em colocar relógios sobre meus ombros.. que não me desse datas, expectativas.. e chamasse isso de futuro. Mas lá no fundo Não acho o tempo algo tão ruim assim. Já que tenho alguém que me acompanha. Que me lembra Que eu não preciso carregar tudo sozinha Que não preciso seguir sempre na linha. É ela que me lembra De ás vezes Ver as coisas como criança E pensar que talvez, crescer não seja perder. Talvez seja aprender E carregar ela pela mão. Que se tudo parece pesado.. Que eu não pese sozinha. E ela é quem eu, todos os dias, vejo no espelho. aquela criança que um dia fui. E que ainda em mim, descansa.