Frase de Ubiatá Meireles
Por onde andam as cartas de amor? Por onde andam as cartas de amor, Que carregavam em si o calor da espera, Palavras dançando, feitas à mão, Tatuadas em papel, uma doce quimera? Eram versos de saudade e suspiros, Seladas com beijos, perfume discreto, Mensageiras do coração aflito, Que voavam pelo tempo, num afeto completo. Hoje, o brilho da tela se impõe, Com frases curtas, instantâneas, sem cor. O romantismo cedeu, quase se escondeu, Mas onde está o sabor do escritor? As cartas guardavam segredos eternos, Dobras macias, confissões agridoces, Um mundo que o tempo quis silenciar, Mas em cada linha, deixavam suas vozes. Quem sabe um dia voltem a ser A ponte que une almas distantes. Pois cartas não morrem, só dormem no peito, Esperando mãos que as façam vibrantes. Se hoje pergunto, com dor e fervor, Por onde andam as cartas de amor? Talvez estejam, tímidas, nas gavetas, Ou esperando coragem, em novos poetas.
No pensador.ai desde