Frase de Luis Henrique Takatsu
A projeção que virou espelho Achei que te via, mas o reflexo era meu. Tuas palavras vinham de fora, mas quem as moldava por dentro era o que eu queria ouvir. Todas as vezes que olhava o pôr do sol no horizonte, na verdade, era uma projeção de nós dois iluminando meu inconsciente. Uma foto sua e se abria um álbum em minha frente, histórias criadas e até roteiros feitos... Projetei um enredo, acreditei no roteiro que escrevi sozinho, e, quando o silêncio chegou, percebi que o eco não era ausência tua — era excesso meu. Criado por um, mas pertencente em silêncio a dois. Nesse excesso, criei um mundo todo só nosso — mas apenas eu tinha acesso. Hoje olho com carinho todo esse sentimento. Não acabou, na verdade, é apenas o primeiro dia fora do nosso mundo encantado. O que doeu não foi perder alguém, foi perder o personagem que inventei. Descobrir que o amor idealizado tem o brilho exato do pôr do sol: belo, mas breve, e feito de despedida. Observando tudo que criei e senti ao longo desse tempo, me vejo como um belo arquiteto, porém, um péssimo projetista — criei estruturas lindas, dignas de um conto de fadas. Hoje vejo de fora o “nosso mundo perfeito”, sem saber o que você acharia dele de verdade. Hoje entendo: a decepção é só a luz acendendo no cinema, mostrando que o filme era projeção. E no escuro que fica depois, a vida me convida a assistir de novo — dessa vez, com os olhos abertos. Das cenas que eu mais gosto são os créditos. Pois mesmo sendo o único colaborador físico dessa criação, todas as cores e formas são méritos seus. Lhe agradeço por fazer tanto por mim. Nunca haverá mágoas em um mundo onde nunca existiram dois corações batendo acelerados por compartilharem o mesmo sentimento.
Luis Henrique Takatsu
No pensador.ai desde