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Frase de Tamara Guglielmi

⁠Vozes que me escreveram (um testamento íntimo de quem cresceu lendo) Cresci entre prateleiras como quem cresce entre árvores: cada livro era uma raiz, cada autor, uma seiva que me invadia devagar, silenciosamente. Enquanto outras crianças sabiam nomes de bonecas ou heróis, eu sabia os nomes das sombras, dos sonhos, dos espelhos quebrados das palavras. Os autores não foram só companhia — foram minhas primeiras perguntas. Foram costureiros da minha alma dispersa. Monteiro Lobato me deu chão com cheiro de terra, mas também me apontou estrelas escondidas nas caixinhas do impossível. Foi com ele que aprendi a discutir com o mundo sem deixar de brincar com ele. Machado de Assis ensinou-me a ironia como espada — e como espelho. Com ele, percebi cedo que os silêncios entre as frases gritam mais do que os gritos ditos. E que o olhar pode ser faca, mas também cura. Clarice Lispector me desfez para depois me reinventar. Eu lia sem entender, mas algo em mim tremia, como se ela falasse com uma parte minha ainda por nascer. Foi ela quem me ensinou que o mistério não se resolve — se contempla. Fernando Pessoa, com seus outros eus, me permitiu viver entre máscaras sinceras. Cada heterônimo era uma chave: um modo diferente de olhar o mesmo céu. Com ele, compreendi que o mundo cabe em quem aceita não caber nele. Cecília Meireles me ensinou a flutuar entre as dores, a escrever sem peso e com ternura. Ela cantava tristezas com mãos de seda, e com ela entendi que ser frágil não é ser fraco — é ser afiado de dentro. José Saramago me deu o labirinto da linguagem. Com ele aprendi a perder o fôlego em frases longas, a duvidar da pontuação do mundo. Ele me ensinou que a fé pode ser cética, e que a lucidez é, por vezes, heresia. Franz Kafka me assombrou com seus corredores sem portas. Era como se ele tivesse lido meus medos antes de mim. Com ele, vi que a angústia tem nome, mas às vezes não tem saída. E ainda assim: escreve-se. Virginia Woolf, vapor de pensamento, ensinou-me a nadar na corrente do sentir contínuo. Com ela, entendi que o tempo interno desfaz relógios, e que a mulher que escreve precisa de um quarto — e de um universo. Emily Dickinson, tão calada e infinita, sussurrou-me versos como orações. Com ela, aprendi que há um universo que vive apenas entre quatro paredes e uma janela. Hermann Hesse me falou em voz de monge e de menino. Ele disse que a alma é rio, que o espírito busca retorno, e que às vezes a paz só vem quando a solidão é aceita como irmã. Dostoiévski rasgou em mim um buraco necessário. Ele não me confortou: me despiu. Com ele, aprendi que amar é sangrar, e que o abismo não se vence — se reconhece. Italo Calvino, leve como o pensamento sonhador, ensinou-me que a leveza pode ser mais difícil que o peso, e que às vezes a melhor resposta é uma história contada de lado, como quem dança e não explica. --- Coda da Leitura Hoje, sou uma colcha de vozes. Nenhuma só. Nenhuma inteira. Mas todas verdadeiras. Carrego Austen nas entrelinhas da minha coragem, Rilke nos espaços onde me pergunto em silêncio, Kafka nos dias em que a existência parece absurda, e Woolf nas marés do meu pensamento líquido. E se amo tanto o que não sei, se permaneço inteira mesmo despedaçada, é porque cresci lendo — e os livros, em silêncio, me ensinaram a habitar o mundo com perguntas, com beleza, com espanto.

Tamara Guglielmi

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Tamara Guglielmi

Carta para você I- 24 de abril de 2010 eu acordei e derrepente senti o vento percorrendo o tempo o barulho dos motores pareciam tambores que palpitavam nos meus ouvidos
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Carta para você I- 24 de abril de 2010 eu acordei e derrepente senti o vento percorrendo o tempo o barulho dos motores pareciam tambores que palpitavam nos meus ouvidos a chuva caia e eu sentia o frio que aquela tempestade me ocasionava Derrepente em meio a tantos sons e sensações Ouvi a sua voz agraciada pela poesia do dia Vc me surgiu do nada, caiu dos céus a reanimou minha vida Eu com medo de tantas sensações me escondi e sumi Quando dei por mim, vc estava ali, no meu pensamento, na minha mente, na minha vida, era o meu dia Mas como te encontrar se eu me perdi de mim ? Se eu me perdi de nós ? Quero te encontrar, quero me encontrar, os sons já não fazem mais sentido Mas para nos encontrar, eu precisaria que o universo conspirasse dando um remédio para aliviar a dor que ando sentindo Para te encontrar eu precisaria que a emoção fosse mais forte que nós Para me encontrar eu precisaria que os meus sentimentos fossem maior que a razão Para nos encontrar eu precisaria que o nosso gostar fosse mais forte que nós dois

Carta para você II, 10 de maio de 2010. Não responda as minhas cartas, só preciso ter alguém para quem possa escreve-las Hoje em Vitória, Espirito Santo, após um dia árduo de trabalho, já no final da tarde, olhei pela Janela do hotel e avistei uma árvore cujas folhas estavam se…
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Carta para você II, 10 de maio de 2010. Não responda as minhas cartas, só preciso ter alguém para quem possa escreve-las Hoje em Vitória, Espirito Santo, após um dia árduo de trabalho, já no final da tarde, olhei pela Janela do hotel e avistei uma árvore cujas folhas estavam se dessecando e caindo sobre a grama fria, era o vento que batia e eu sentia que o outono partia, dando lugar ao inverno. Meus invernos tem sido tão solitários, o mesmo vento frio da estação que derruba as folhas sobre a grama, parecem querer congelar minha alma desnuda e desnutrida pela decepção de um sentimento não correspondido. Pelo menos as folhas, aquelas folhas, não sobreviverão a este inverno, contudo, os meus olhos fixos e tão secos quanto aquelas folhas sobreviverião a este momento e talvez jamais reproduzirão a condesação do vazio que eu sinto neste instante Olhar por esta anela, avistar este fim de tarde frio e vazio e perceber que tudo ali ainda existe, menos você, tem me deixado triste.

Eu não te amo você que despreza o meu tormento Que é um atroz do tempo
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Eu não te amo você que despreza o meu tormento Que é um atroz do tempo Que medita contra o vento Que não vela a minha dor Quero que te dizer que eu não te amo Vc que ignora o meu sentimento Que não agracia o meu alento Que ri do meu contentamento Que fingi que não vê a minha saudade Que zomba da minha felicidade Quero te dizer que eu não te amo Vc que já me amou e me encantou Vc que me deu o chão e me retirou a alma Vc que me deu a luz da lua embrulhada com trevas Vc que me deu o amor e o transformou em dor Quero te dizer que eu não te amo Vc que poderia ser minha emoção Vc que negou o meu coração Vc que fez da minha história seu jargão Quero que vc vá para o inferno e que padeça no inverno

Carta a um amigo. esta carta será nosso segredo e fará parte de todo aquele enredo surreal que imediatamente descobrimos ao nos conhecermos, dos sonhos que subitamente compartilhamos, dos nossos encontros e desencontros, das nossas longas e prolixas conversas sobre a existência…
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Carta a um amigo. esta carta será nosso segredo e fará parte de todo aquele enredo surreal que imediatamente descobrimos ao nos conhecermos, dos sonhos que subitamente compartilhamos, dos nossos encontros e desencontros, das nossas longas e prolixas conversas sobre a existência humana, por fim, da história que não iniciamos. Traduzi-lo em um poema seria uma tarefa extremamente fácil, pois a sensibilidade que habita em você é inspiração suficiente para a composição de qualquer poesia, aliás, eu me atreveria em dizer, humildemente, que você é uma poesia em si, portanto, desconsidero totalmente desnecessária qualquer tipo de inspiração ou mesmo composição, por isso descarto os versos, descarto a poesia, simplesmente o defino a partir do meu olhar. Definição Olhar distante, mente delirante, desejo insaciável pelo desconhecido, loucura radiante, assim és tu, quando não estás contigo. Por outrora, quando estás contigo, vejo os teus pés tocarem o chão. Então ouço palavras vindo de ti assimetricamente calculadas e atitudes mensuras pela razão, um medo inexplicável de amar brota da tua alma repentinamente e a possibilidade de se entregar a paixão é algo quase que incogitável, pois esta simples possibilidade subtrairia o "Tício" dele mesmo, em suma, não estarias contigo, o que te tornaria vulnerável frente a um mundo despido de segurança. Se eu pudesse teceria asas bem firmes e lhe entregaria, para que quando tivesses totalmente entregue a incerteza voasse sem direção para despejar no vale da solidão toda aquela dor que aflige a tua alma por vezes. Se possível fosse, eu vestiria o teu mundo de segurança, para que a simples possibilidade de se tornar vulnerável a ele não fosse razão suficiente e necessária para a negativa do amor. 2 Algum dia Há uma canção que diz : Como os dias vão e vêem as noites eu ainda pergunto porque você partiu. Eu quero saber como isso não deu certo. Mas você se foi e memórias são tudo que tenho agora.. Mas tem uma parte que a canção se mostra totalmente otimista, ela diz: Mas isso não terminou, Nós vamos envelhecer, nós vamos superar, nós vamos viver para ver o dia que espero voltar para mim. Eu ainda acredito. Nós vamos conseguir novamente. Nós vamos voltar a viver de novo. Nós não vamos dizer outro adeus novamente. Você vai viver para sempre comigo. Algum dia, algum dia vamos estar juntos. Algum dia, algum dia vamos estar juntos. Eu ouço algum dia podendo ser hoje. Mistérios do destino são de algum modo e, por alguma razão, tudo que sabemos. Eles resultam o amanhã de hoje. Meus olhos estão abertos, meus braços estão levantados para o seu abraço, minhas mãos estão aqui para emendar o que está partido, para sentir novamente o seu rosto. Eu creio que aí é mais para viver. Oh! Eu amo você muito mais que a vida e ainda acredito. Eu posso mudar sua memória, reviver o que por dentro está morto e algum dia, algum dia vamos estar juntos. Algum dia, algum dia vamos estar junto. Algum dia, algum dia vamos estar juntos. Vamos estar juntos. Vamos estar juntos. Algum dia Enfim, eu citei não uma canção apenas, mas sim um tratado sobre a esperança, então, se algum dia você se apaixonar de verdade meu amigo e por um acaso esta pessoa partir, lembre-se que ainda que só restem memórias do que se foi, a esperança é única coisa que não podemos perder. 3 Hoje 30 anos se passaram e certamente o "Tício" de ontem não é o mesmo de hoje e nem será o mesmo de amanhã. A impressão que eu tenho quando acordo é que a Tamara de ontem morreu e hoje foi me dada uma nova chance de viver. É como se cada dia fosse início, meio e fim de uma vida. Na minha perspectiva a cada dia renascemos e é sob está ótica que eu visualizo no hoje a sua possibilidade e chance de comemorar o seu renascimento, afinal, é o seu dia. Lembre-se de viver cada dia como se fosse único e se puder viva uma vida por dia. Por isso, seja feliz hoje, faça aqueles que você ama feliz hoje, não deixe para amanhã aquilo que você tem vontade de fazer hoje. Diga o que você sente hoje, faça hoje o seu melhor, por que hoje não volta nunca mais. De alguma forma, tudo que sabemos em verdade é que só temos hoje. .