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Frase de elciojosemartins

Élcio José Martins GUARANÉSIA Essa cidade já foi contada em verso, prosa e canção, Sua semente já colheu muitos frutos pra nação. Sempre foi um marco na cultura e educação, Tem teatro de alto nível e carnaval para o povão. O rio canoas beijou a sua face, Pássaro da ilha disse me abrace. Sua história é rica como ouro, Seus filhos a beleza do beija-flor-besouro. Rio canoas já foi capivaras, Tinham pássaros em revoadas, sabiás, canarinhos e araras. Animais os mais diversos e espécimes raras, Todos vivendo livremente, sem gaiolas, sem currais, quem dera haras. O seu primeiro nome que até hoje ecoa, Tem referência ao emigrante José Maria Ulhoa. À margem do Rio canoas seu nome entoas, Batizado em suas águas como Santa Bárbara das Canoas. Próximo à sua moradia uma capela construiu, Por devoção à Santa Bárbara seu nome atribuiu. Por desígnios da divina providência um fato ocorreu, Um milagre de Santa Bárbara um homem protegeu. Na derrubada da mata um grande tronco cairia, Um pobre homem que ali estava certamente atingiria. Santa Bárbara protetora esse homem salvaria, As raízes de uma árvore desse tronco, livraria, Seus companheiros murmuraram Milagre! Milagre! Milagre!..., Santa Bárbara o salvou. Isso foi Milagre!..., Num instante tudo silenciou, e, trêmulos de emoção, Escolheram Santa Bárbara como a Santa do coração. José Martins e Manoel Fernandes Varanda, impressionados, resolveram doar, O terreno à capela para nele um povoado edificar. Viajantes e mascates eram seus visitantes, De joias a escravos eram eles comerciantes. Em 1838, como prêmio, distrito se tornou, Distrito de Paz de Santa Bárbara das Canoas denominou. Subordinou-se ao termo de São Carlos de Jacui, Foi jurisdicionado à comarca de Sapucaí. Em 16 de setembro de 1901 o município foi criado, Denominado Guaranésia pra criar o seu legado. Significa pássaro da ilha um pássaro encantado, Da tríade de escolha ele foi o selecionado. Gardênia e Tavarésia foram os outros relacionados, São nomes especiais que até hoje são lembrados. Santa Bárbara das Canoas, Gardênia e Tavarésia, Marcaram a linda história da querida Guaranésia. Já foi estrada real, já teve trem de ferro e até avião, Tinha casa bancária, comércio de arroz, milho e feijão. Chora a velha estação sem locomotiva e sem vagão, Que embarcou amores e riquezas para toda região. Cidade de famílias nobres de muita tradição, Grandes comerciantes desde a sua criação. Professores renomados percorreram a nação, Levando conhecimentos na cidade e no sertão. Tem a cana, o álcool e o algodão, Café é a maior exploração. Tem panos de prato, cabines e mangueiras, Secos e molhados, tijolos e madeiras. Santa Margarida marca a história da cidade, Fez parte do progresso desde a sua mocidade. Foi a mãe da indústria têxtil tecendo a humildade, Teceu o cidadão, deu guarida, deu o pão e muita dignidade. As casas bancárias se multiplicaram, As indústrias se transformaram. As escolas recebem o reconhecimento, Pelo alimento do intelecto e a costura do conhecimento. Aqui se faz justiça, abre caminho, Nossos velhinhos afeto e carinho, Os especiais sonhos e esperança, Nossas crianças cidadania e confiança. Esta cidade tem portas abertas, Não tem demandas, exagera nas ofertas. Recebe seus novos cidadãos com a alma e o coração, Aqui não tem origem, não tem cor, não tem separação. Guaranésia tem sua história, Seu povo boa memória. Não perde o trem da saudade, pois sabe quem faz a hora, Já foi mocinha hoje é uma grande e bela senhora. Viva Guaranésia das manhãs orvalhadas, De estradas de terra que hoje foram asfaltadas. Do menino de pé no chão, sem agasalho e sem tostão, Do cinema, do jardim, e do namoro, pegar na mão. Do Lions Clube a Fernando Osório, Da igreja, Monsenhor Grella e o santuário. Santa Casa a equipe de prontidão, Dos atletas campeões da famosa geração. Fica um pouco de saudade, Mas firme na realidade. Nossa cidade se tornou, Tudo aquilo que seu povo um dia semeou. Élcio José Martins

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Élcio José Martins AMOR À PRIMEIRA VISTA Chegou sem dizer nada, Não podia ser porta errada. De mansinho conquistou, Um coração flechou. Duas almas de juntaram, Dois corações se apaixonaram. Abraços e beijos trocados, Eternos namorados. Das duas, uma só alma, Sem estresse, tudo se acalma. Dos dois, um só coração, Sem regra, sem razão, Só o pulsar da emoção. É suor de malhação, É o esfregar da dança de salão. É o roçar de mão, É o beijo de supetão. E ainda mais se amaram... Embebedaram-se do mel, Com volúpia gargamel, De êxtase subiram ao céu, Pernas e braços, o escarcéu. Com o amor e o desejo se casaram, E desse amor louco se encontraram. E ainda mais se amaram, Dos desejos soltos novamente se embriagaram. E ainda mais se amaram... Cúmplice cama dos pecados, Cálidos beijos molhados, Lençóis esparramados, Vertigem de lustres dourados. No chão, na lareira, na esteira, No bico da mamadeira. Suor, corpos molhados insaciados, Sussurros de versos inacabados. E ainda mais se amaram... Élcio José Martins

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Élcio José Martins DESEJO DA MULHER Ah! Se soubesse os desejos da mulher, Embebedaria de seu licor e comeria com colher. Amaria todas, não sobraria uma sequer, Daria a rosa mais bonita, não seria uma rosa qualquer. Dom Juan não quis ensinar, Como fez pra conquistar. Amou as mulheres mais belas, E como foi amado por elas! Será que era o traje que usava? Ou será que era o chapéu que portava? Será que era o dinheiro na poupança? Ou será que eram seu charme e sua elegância? O que a mulher deseja talvez seja pouco, Um punhado de carinho e um beijo rouco. Um abraço apertado e um sussurro louco, Nada é demais, que não seja tão pouco. Presentinhos quando ela menos espera, Elogiar sempre é a pimenta que tempera. Ao acordar sentir o cheiro do café na cama, Feito de forma especial por quem à ama. Escrever nas estrelas que ela é a mais brilhante, Que entre as pedras preciosas, ela é o diamante. Enche-la de joias, pérolas e ouro, Gritar ao mundo que essa mulher é o seu maior tesouro. Magra, corpo violão, Cortejada de montão. Deixa babando o marmanjão, Que não aprendeu como amar um mulherão. Casa na praia, Cavalo na raia, Barco no mar, Ainda sobra tempo para amar. Viagem à Europa no dia do aniversário, Jantar a luz de velas e show universitário. Colar de brilhantes e brinco de esmeralda, Curtir o luar na madrugada, sentados na calçada. Nada disso tem valor se faltar o amor, Falta de amor rima com rancor e dor. Dê à sua mulher o seu devido valor, Seja seu poeta, seu músico, seu cantor e seu maior admirador. Conquiste-a de noite e de dia, De manhã ao raiar do dia. Seja seu brilho, seja sua luminosa luz, Seja espelho, seja sua brisa, seja o seu cristal que reluz. Ame as mulheres, a família depende delas, Lute por seus direitos e faça tudo por elas. Não importa se são bonitas ou se são belas, Sempre alegrarão todas as cores em aquarelas. A mulher não quer muito, quer apenas o seu amor, Dê a ela seu jardim e a mais bela flor. Nada que ela faz, pede algo em pagamento, Faz tudo pelo amor e por seu contentamento. Élcio José Martins

Élcio José Martins O VÁCUO DA VIDA O que sou, são sei,
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Élcio José Martins O VÁCUO DA VIDA O que sou, são sei, Não sei se acertei ou se errei. Só sei que semeei, Sementes e amores pelos caminhos que caminhei. Construí trilhos e atalhos, Costurei vestes de retalhos. Já fui Rei e espantalho, Já comi carne assada no borralho. De onde vim não sei, Pra onde vou ainda não pensei. Corri, corri, um dia parei, Pensei. Esse mundo não é justo como um dia imaginei. Tem guerra e intolerância, O veículo é ambulância. Os donos do mundo não se entendem, Só fazem o que pretendem Hoje os lares são hospitais, Triste sina dos mortais. À mercê desses marginais, A paz e o amor ficaram pra trás. É um vazio de solidão, No vasto mundo, imensidão. As casas se transformaram em prisão, No vácuo do medo, a espera pelo ladrão. Nesse mundo inconsciente, O jovem livre e impaciente, Busca a calma do oriente, Pra matar o leão e assar com brasa quente. Qual futuro o espera, Nesse tempo que acelera, Víscera que dilacera, Corpo drogado, na sede sem espera. Do nascer ao morrer Deus nos deu a ponte da vida, Cada um tem seu tempo, sem leme, sem bússola e sem rota definida. Uns trafegam por cima, outros por baixo, seguem o destino, Nascer, viver e morrer. Morte e vida, o desatino. Nossa riqueza não é nossa riqueza, O que fica é o nome e a nobreza. Só tem jantar, não espere sobremesa, O céu não precisa de riqueza pra manter sua beleza. Élcio José Martins

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Élcio José Martins O PARAÍSO ENVERGONHADO De tanto ver seu nome no lamaçal da corrupção, Nosso País esconde a face com vergonha de ser Nação. As lágrimas derramadas escorrem pelas calçadas sem fama, Lubrificam as engrenagens da justiça sob os auspícios de Dalai-Lama. As turbulências não são passageiras não, Viajam em nosso País desde o reinado de Dom João. Cada dia uma nova decepção, Cada estrume de vaca que se vira, tem alguém metendo a mão. Políticos desonestos camuflam nas folhas da impunidade, Fazem Leis que escancaram a desonestidade. Não envergonham se massacram a sociedade, São sem limites, perderam o brio e a dignidade. Os bandidos com e sem colarinhos diferenciam-se nos ninhos, Por necessidade ou opção seguem os desvios dos caminhos. Os eleitos pela sociedade massacram e matam de mansinho, Desrespeitam os cidadãos tratam todos por povinho. Envergonhamos frente ao mundo da ética, Pela exposição dessa classe doente e patética. Não importam as enormes filas nos hospitais, Não importam as crianças famintas nas capas dos jornais. O tempero tá sem sal, Já nem se sabe o que bem e o que é mal. O Paraíso envergonhado pede perdão, De fazer seu povo como escudo e paredão. A Justiça como grãos de milho no galinheiro, Apena um ou outro, busca agulha no palheiro. As Leis covardes e protetoras, Tiram o mel e o favo das classes trabalhadoras. Com seus direitos surreais e especiais, Surrupiam do cidadão o pão, a dignidade, seus bens materiais e emocionais. A população ta triste, mas espera solução, Só não sabemos quem poderá nos salvar da atual situação. A sociedade repele a corrupção, mas comete os mesmos deslizes, Precisa ser vigiada para não mostrar suas raízes. Surrupiar os bens alheios saqueando o que é de outro, Não pode ser normal numa sociedade que pede decoro A desonestidade está alinhada ao outro, sem semelhança, Mas o que difere é a oportunidade e a vigilância. Não percamos a esperança, vale à pena acreditar, Ensinar a criança é o caminho para o futuro melhorar. O verde da floresta carioca pede respostas, O Cristo Redentor se pudesse ficaria de costas. Brasília nem a amarela dá aquarela, Nossa Minas do ouro e pedras preciosas, tão bela ficou ridicurela. O norte e nordeste do povo sofrido e esmarrido, Sempre foi cabo eleitoral do candidato de nariz comprido. Mas a fé em oração faz esse povo sabido, muito unido, Não há desgraça que destrua esse amor construído Da tapioca ao queijo mineiro, Do arado, do jegue e do carreiro, Das mansões, dos casebres e dos veleiros, Não importa crenças e diferenças, ainda somos brasileiros. Precisamos de coragem e decisão, Levar a Bandeira verde e amarela numa só direção. Arregaçar as mangas e gritar bem alto com a voz do coração, Somos donos desse país e não vamos tolerar enganação. Como brasileiro estou morrendo de vergonha, Para o mundo somos frouxos acreditando na cegonha. São promessas de ressacas num dia de curtição, Somos sugados, sem dó, até sangrar o coração. Logo chegará a hora da eleição, Na telinha da TV pra tudo tem solução. O discurso é o mesmo, mas com muita embromação, Pra conquistar o voto na época de eleição, O candidato é travestido de bondade, amor e compaixão. Se os partidos fossem bons não seriam fatiados, Como são partidos nunca serão inteiros e apropriados. Ainda temos voto, a maior arma que temos, Façamos dele o justo, o perfeito e tudo que queremos. Élcio José Martins