Pular para o conteúdo

Frase de Maitê Proença

“Somos queijo gorgonzola” Estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, estamos envelhecendo, só ouço isto. No táxi, no trânsito, no banco, só me chamam de senhora. E as amigas falam “estamos envelhecendo”, como quem diz “estamos apodrecendo”. Não estou achando envelhecer esse horror todo. Até agora. Mas a pressão é grande. Então, outro dia, divertidamente, fiz uma analogia. O queijo Gorgonzola é um queijo que a maioria das pessoas que eu conheço gosta. Gosta na salada, no pão, com vinho tinto, vinho branco, é um queijo delicioso, de sabor e aroma peculiares, uma invenção italiana, tem status de iguaria com seu sabor sofisticadíssimo, incomparável, vende aos quilos nos supermercados do Leblon, é caro e é podre. É um queijo contaminado por fungos, só fica bom depois que mofa. É um queijo podre de chique. Para ficar gostoso tem que estar no ponto certo da deterioração da matéria. O que me possibilita afirmar que não é pelo fato de estar envelhecendo ou apodrecendo ou mofando que devo ser desvalorizada. Saibam: vou envelhecer até o ponto certo, como o Gorgonzola. Se Deus quiser, morrerei no ponto G da deterioração da matéria. Estou me tornando uma iguaria. Com vinho tinto sou deliciosa. Aos 50 sou uma mulher para paladares sofisticados. Não sou mais um queijo Minas Frescal, não sou mais uma Ricota, não sou um queijo amarelo qualquer para um lanche sem compromisso. Não sou para qualquer um, nem para qualquer um dou bola, agora tenho status, sou um queijo Gorgonzola. Maitê Proença

Maitê Proença

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Maitê Proença

Neste mundo não há saída: há os que assistem, entediados, ao tempo passar pela janela, e há os afoitos, que agarram a vida pelos colarinhos.
Sigo subindo e descendo as montanhas para saber o que há por trás da paisagem. Haverá possivelmente outra montanha, muito parecida com esta que me encontro agora, mas como tenho pregados na memória aqueles primeiros tempos em busca de alegrias essenciais não acharei isso maçante:…
Continuar lendo

Sigo subindo e descendo as montanhas para saber o que há por trás da paisagem. Haverá possivelmente outra montanha, muito parecida com esta que me encontro agora, mas como tenho pregados na memória aqueles primeiros tempos em busca de alegrias essenciais não acharei isso maçante: a satisfação está no percurso e alcançar o topo para espiar o outro lado é só a motivação para seguir o caminho, para seguir no caminho, para seguir simplesmente no caminho...