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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

O PIOR ALUNO DA ESCOLA Demétrio Sena, Magé - RJ. Naquela escola, o título de pior aluno tinha um dono absoluto. Ele conquistara o posto a duras penas, ao desbancar um a um todos os rebeldes sem causa como o próprio, que ousaram a tentativa de usurpar o poder. Para cima dele ninguém se deu bem, pois a sua criatividade para ser cruel, baderneiro, armador e sonso o bastante para não ser expulso não tinha limite. Houve até um menino que uma vez - ou era uma vez - chegou bem perto de se tornar pior do que o pior aluno da escola. Foi páreo duro, mas quando o dono do pedaço viu que a coisa estava feia, reagiu radicalmente. Tão radicalmente, que o aspirante sentiu na pele, nos olhos, no queixo, nos dentes, na boca e na boca do estômago, que a honra de ser pior - ou melhor pior do que o pior - poderia lhe custar muito mais caro do que o previsto. No fim das contas, ele foi obrigado a reconhecer a supremacia do melhor pior que aquela escola poderia ter, de fato. Para não ficar sem trono e não sofrer para sempre as consequências drásticas de ameaçar o posto do pior aluno, aquele segundo pior, que detestava ser o segundo e queria ser o primeiro em algo, fez o percurso inverso: decidiu ficar bem bonzinho; cada vez mais bonzinho, estudioso, e decidiu enfim se conformar com o posto de o melhor aluno da escola. O pior dessa história de ser o melhor é que o cargo não dura muito. O melhor vai em frente, passa de ano e tem sempre que recomeçar. Fazer tudo de novo por uma nova fama. Sendo assim, aquele já melhor aluno também resolveu radicalizar; fazer história: virar um nerd sem precedentes; um CDF inveterado; em outras palavras, um chato de galocha... ser o melhor aluno de todos os tempos, daquela bendita escola. Por uma sorte torta, ser o melhor aluno da história daquela escola, de certa forma realizou seu primeiro sonho, porque chegou-se a um ponto em que ninguém o suportava com aqueles ares de o melhor, do bonzinho que virou bonzão, que fizeram dele o pior. O mais impopular de todos. Aquele que os meninos e meninas queriam desbancar, para ele deixar de ser besta. E por sorte ainda mais torta, ocorreu que o pior aluno da escola nem se dava conta da inversão de valores que o tornara melhor do que o melhor aluno.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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JU Demétrio Sena, Magé - RJ. Dorme o sonho de um anjo que acredita nos poderes de um pai que tudo pode, vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas ou as tramas ocultas dos mortais... Põe a vida nos vãos da minha mão; na leitura suave dos afagos; no sermão dos meus olhos que traduzem meu amor infinito; sem medida... Pousa e dorme, acredita em seu herói que não teme vilão, monstro noturno, sara medo e dodói; assusta o susto... Só eu sei que no fundo ela me salva; tem a força, o poder, guarda meu mundo e não deixa minh´alma se perder...

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.