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Frase de Adélia Prado

O que pode ser dito ⁠Quase indizível o experimento histórico, porque o mês é setembro, o ano, o de 2011 e às três da manhã me percebo acordada me equilibrando à beira de um buraco de que só agora meço o fundo e escuto a radiação contínua de uma dor por anos de distração ignorada. Quem pode me consolar a não ser Vós, face desfigurada de solidão e tormento? Que fiz eu, desatenta a vida inteira? Com que ocupava as horas quando, à minha frente, muda levantáveis os olhos para mim esperando mais que migalhas? Chorem comigo, céus, para que o desvão transborde. Me socorre, pai, mãe, me socorre, irmãos meus, ancestrais, pecadores todos. Quem viu o que vejo venha me socorrer. Sempre quis ver Jesus e Ele esteve comigo o tempo todo. Só era preciso um olhar, um olhar atento meu. Era só ficar junto e de modo perfeito tudo estaria bem, de modo miraculoso. Ó Vós que me fizestes, bendigo-Vos pela cruz da qual ainda viva me desprendes. Eu não preciso mais acreditar. Na minha carne eu sei que sois o amor e é dele que renasço e posso voltar a dormir.

Adélia Prado

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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O que precisa nascer tem sua raiz em chão de casa velha. À sua necessidade o piso cede, estalam rachaduras nas paredes, os caixões de janela se desprendem. O que precisa nascer aparece no sonho buscando frinchas no teto, réstias de luz e ar. Sei muito bem do que este sonho fala e a quem pode me dar peço coragem.