Frase de Kiko Arquer
"O filtro medroso de um ser é o que o limita e delimita seu constante". Imagine que Maria é uma pessoa mal casada com um homem bem peludo. Bem mal casada. Bem peludo. Maria odiará pelos em todas as circunstâncias. Ela tentará falar de pelos em todas as conversas. É assim que ela cospe, diariamente, o que a incomoda. Ela tenta tirar isso de si mesma a todo instante. Ela fala pra tirar de si, ela fala para entender, ela fala para se sentir menos sozinha. Maria se abastece de ódio toda noite com o maridão peludo, e Maria se esvazia durante o dia. E ainda mais, como odiadora de pelos, ela será reconhecida por todas as pessoas ao redor dela. Suas amigas Lulu, Elisa e Mônica também tem seus nojinhos por pelos. Maria é a líder do ódio. A identidade de Maria se constrói e se consolida nisso. "Maria, a odiadora de pelos !!!" O maridão peludo pode até morrer, mas Maria não, Maria não abrirá mão. Enfim, até mesmo se enfiarmos a 9ª Sinfonia de Beethoven numa conversa, Maria irá se segurar em seu medo e gritará que os pelos do peito de Ludwig são asquerosos. Ludwig, o asqueroso !!!
No pensador.ai desde