Frase de Mel Fronckowiak
Da minha janela vejo: Pássaros pretos que pontilham o céu Escuridão bordada aos voos no inflito azul São eles também caminhos de tentar percorrer Desencontros, que como na vida, acabam de longe fazendo sentido São também encontros de jornada Como os que temos no mundo telhado pelo universo Olho para dentro da minha janela e percebo Sou também o que me circunda Somos inclusive o que paira sobre as nossas cabeças Sou a soma das vidas a minha volta Do vento que beija a cortina e desacomoda o linho branco Da mata verde que sobrevive ao barulho da cidade O mendigo que outro dia dormia numa esquina escurecida também me é Pela falta de luz, pela falta de vida Sou aquele casal que faz amor e deixa os ruídos atravessarem o silêncio da solidão de outrem Sou a menina que sai da escola com uma saia azul a cobrir suas pernas Metade mulher, metade inocência Sou os que foram e inclusive os que virão A vontade de voar sem cair De chorar sem doer De apenas continuar a escrever Sou um pecado que perdoa Uma tristeza que sorri A fila do banco pode ser uma soma As idades podem ser uma só Contar o tempo para quê? Se de tanto contar acabamos esquecendo de sentir Fecho os olhos e ouço A melodia transversa que o mundo canta Buzinas, vento, portas que batem, palavras que encontram, meu celular que toca, minhas lágrimas que escorrem O silêncio é tão cheio de outros silêncios Dizer é tão cheio de calar Volto a observar o céu Há um ritmo sereno no topo da vida que corre Ser como voar é minha vontade na vida Hei de alinhavar o amor como os que planam Nesses caminhos de se perder O sonho que tenho cabe dentro dos dedos Tem a forma de uma mulher quando seus olhos enxergam além Ser tua, ser minha, ser ela É disso que estou falando.
No pensador.ai desde