Frase de Ricardo Cardoso
O menino e o baile de garagem O menino está crescendo, tem pressa de viver tudo, nos meados dos anos 70 eram comuns bailinhos feitos em garagens e assim o menino pela primeira vez fora convidado para um baile na garagem de um dos amigos de seu primo, tinha um globo e luz negra, era pequena, ele ajudou a montar os equipamentos e no final da tarde lá foi ele para o seu primeiro baile, já tinha alguns de seus amiguinhos no local e também uma linda menina com cabelos longos pretos e com a pele morena, ela dançava com suas coleguinhas, como era de costume falar, seria uma seleção de musicas quente (seis musicas) e uma seleção de musicas lentas (quatro musicas), o menino ficou observando como se dançava as quentes e as lentas, ele arriscou alguns passos e depois de algum tempo já descontraído com seus amigos, arriscou chamar aquela linda menina de cabelos pretos para dançar a próxima seleção de lentas, a menina que também o olhava o tempo todo aceitou, ele ficou ansioso a espera da próxima seleção, ficou por ali próximo da menina com medo que outro a chama se, então anunciaram (Próxima seleção lenta, chama seus pares e vamos dançar), foi a primeira vez que ele ouvia aquela linda canção, dançando com aquela linda menina, o menino se aproxima da menina pegando a pela mão, levando a até o centro do salão, coloca a sua mão esquerda no ombro da menina e sua mão direita na cintura, fecha os olhos e sente o pulsar do coração daquela linda menina embalados pela musica de Chris De Burgh - Flying Voando, nunca achei que aprenderia a voar assim Eu pensei que eu gastaria minha vida inteira tentando, já que estar voando é aquela antiga arte de manter um pé no solo... Mentindo, eu jamais pensei que pararia de mentir Eu pensava que perderia tudo isso suspirando, Já que mentir é aquela antiga arte de esconder palavras que nunca serão encontradas Chorando, eu pensava que nunca pararia esse pranto, Eu pensava que eu sempre sonharia com minha morte Já que chorar é aquela antiga arte de derramar rios de lágrimas Oh morrendo, eu jamais me imaginaria ver morrendo, Eu pensava passar minha vida inteira voando, já que morrer é aquela antiga arte de manter o mundo girando Suspirando, eu pensei que nunca ia deixar de suspirar Eu sempre pensei que continuaria chorando, Já que suspirar é aquela antiga arte de pôr pra fora toda sua tristeza E tentar, jamais pensei que passaria minhas estações tentando , Eu pensei que poderia parar de mentir, Já que tentar é aquela antiga arte de provar que o mundo é redondo Oh voar oh oh, mentir oh oh, chorar oh oh, suspirar oh oh, tentar oh oh, e morrer oh oh, sendo que morrer é aquela antiga arte de crescer flores no chão, Sim, é assim... Foi a primeira musica que marcaria para sempre uma passagem de sua vida, a primeira dança o primeiro de muitos bailes, dançou as quatros musicas, era a última seleção, era o fim daquele primeiro dia de baile, o menino acompanhou a menina até o portão de sua casa que ficava na mesma rua, deu um beijo no rosto macio daquela que seria sua parceira de dança em muitos outros bailes na mesma garagem e todos os finais de semana o menino lá estava e novamente chamando aquela linda menina para dançar, as musicas eram as mesmas, mas o menino queria mesmo era estar ao lado da menina a qual ele a desejava como sua namorada, mas não tinha coragem de revelar e um dia, depois de meses o baile de garagem não mais tocaria a canção que marcou sua vida e o menino não dançou mais com aquela linda menina de cabelos pretos, pele morena, rosto macio, não sentiu mais o seu coração pulsar no embalo da musica. O menino novamente deixou um pouquinho do seu coração naquela linda menina e partiu, mas todos os finais de semana ele iria para festas e bailinhos de garagens, em um desses bailes ele encontrou a menina da escola, a menina de cabelos loiros e olhos azuis, seu coração quase saltou pela boca ao lembrar o quanto aquela menina o fez feliz os quatros anos juntos no primário, ele jamais esquecera que aquela menina para sempre seria a sua primeira namoradinha... (José Augusto – Primeiro Amor) Foi numa festa outro dia Que eu te encontrei a dançar Namoradinha de infância Sonhos da beira do mar Você me olhou de repente Fingiu que tinha esquecido E com um sorriso sem graça Me apresentou ao marido E o resto da noite dançou pra valer Se teus olhos me olharam fingiram não ver No meu canto eu fiquei entre o riso e a dor Lembrando do primeiro amor Pra me beijar precisava Ficar na ponta dos pés Eu tinha então oito anos Mas te menti que eram dez Lembro você orgulhosa Da minha calça comprida Vínhamos juntos da escola Sem qualquer medo da vida E o resto da noite dançou pra valer Se teus olhos me olharam fingiram não ver No meu canto eu fiquei entre o riso e a dor Lembrando do primeiro amor Sábado tinha dinheiro Pra te levar ao cinema Onde com medo pegava Tua mãozinha pequena Nossos castelos de areia Sonhos perdidos no ar Jogo de bola de meia E um refrigerante no bar E o resto da noite dançou pra valer Se teus olhos me olharam fingiram não ver No meu canto eu fiquei entre o riso e a dor Lembrando do primeiro amor,Lá-rá-lá-lá-rá A menina diz que sempre se lembraria do primeiro namoradinho, o menino não sabe se ela ainda o lembra, “E no seu canto ele ficou entre o riso e a dor”. (Ricardo Cardoso)
No pensador.ai desde