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Frase de Manuel Bandeira

Mascarada Você me conhece? (Frase dos mascarados de antigamente) - Você me conhece? - Não conheço não. - Ah, como fui bela! Tive grandes olhos, que a paixão dos homens (estranha paixão!) Fazia maiores... Fazia infinitos. Diz: não me conheces? - Não conheço não. - Se eu falava, um mundo Irreal se abria à tua visão! Tu não me escutavas: Perdido ficavas Na noite sem fundo Do que eu te dizia... Era a minha fala Canto e persuasão... Pois não me conheces? - Não conheço não. - Choraste em meus braços - Não me lembro não. - Por mim quantas vezes O sono perdeste E ciúmes atrozes Te despedaçaram! Por mim quantas vezes Quase tu mataste, Quase te mataste, Quase te mataram! Agora me fitas E não me conheces? - Não conheço não. Conheço que a vida É sonho, ilusão. Conheço que a vida, A vida é traição.

Manuel Bandeira

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: BANDEIRA, M., Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira, Volume 7, Global Editora, 1984 | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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Os Sapos Enfunando os papos, Saem da penumbra,
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Os Sapos Enfunando os papos, Saem da penumbra, Aos pulos, os sapos. A luz os deslumbra. Em ronco que aterra, Berra o sapo-boi: - "Meu pai foi à guerra!" - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz: - "Meu cancioneiro É bem martelado. Vede como primo Em comer os hiatos! Que arte! E nunca rimo Os termos cognatos. O meu verso é bom Frumento sem joio. Faço rimas com Consoantes de apoio. Vai por cinquüenta anos Que lhes dei a norma: Reduzi sem danos A fôrmas a forma. Clame a saparia Em críticas céticas: Não há mais poesia, Mas há artes poéticas..." Urra o sapo-boi: - "Meu pai foi rei!"- "Foi!" - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". Brada em um assomo O sapo-tanoeiro: - A grande arte é como Lavor de joalheiro. Ou bem de estatuário. Tudo quanto é belo, Tudo quanto é vário, Canta no martelo". Outros, sapos-pipas (Um mal em si cabe), Falam pelas tripas, - "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". Longe dessa grita, Lá onde mais densa A noite infinita Veste a sombra imensa; Lá, fugido ao mundo, Sem glória, sem fé, No perau profundo E solitário, é Que soluças tu, Transido de frio, Sapo-cururu Da beira do rio...