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Frase de Eucanaã Ferraz

⁠PEDIDO Houvesse Deus e os deuses A fim de que lhes pedisse: o coração em que penso, por mais frases e bocas que beije todas ache feias e frias, e que, amanhã, ao despertar, ou à saída da boate, pense em mim quando a luz do dia sobre ele se desate.

Eucanaã Ferraz

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Pensador.com

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Sob a luz feroz do teu rosto Amar um leão usa-se pouco, porque não pode afagá-lo
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Sob a luz feroz do teu rosto Amar um leão usa-se pouco, porque não pode afagá-lo o nosso desejo de afagá-lo, como tantas vezes cão ou gato aceitam-nos a mão a deslizar sobre seu pêlo; amar um leão não se devia, agora que já não somos divinos, quando a flauta que tudo encantaria, gentes animais pedras, nós a quebramos contra a ventania; amar um leão é só distância: tê-lo ao lado, não poder beijá-lo, o deserto que habita em torno dele; era mais certo amar um barco, era mais fácil amar um cavalo; amar um leão é não poder amá-lo; e nada que façamos adoça o que nele nos ameaça se amar um leão nos acontece: à visão de nosso coração ofertado, tudo nele se eriça, seu desprezo cresce; amar um leão, se nos matasse; se nos matasse o leão que amamos seria a dor maior, mais que esperada: presas patas fúria cravadas em nossa carne; mas o leão, que amamos, não nos mata.

Pensei em mentir, pensei em fingir, dizer: eu tenho um tipo raro de, estou à beira,
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Pensei em mentir, pensei em fingir, dizer: eu tenho um tipo raro de, estou à beira, embora não aparente. Não aparento? Providências: outra cor na pele, a mais pálida; outro fundo para a foto: nada; os braços caídos, um mel pungente entre os dentes. Quanto à tristeza que a distância de você me faz, está perfeita, fica como está: fria, espantosa, sete dedos em cada mão. Tudo para que seus olhos vissem, para que seu corpo se apiedasse do meu e, quem sabe, sua compaixão, por um instante, transmutasse em boca, a boca em pele, a pele abrigando-nos da tempestade lá fora. Daria a isso o nome de felicidade, e morreria. Eu tenho um tipo raro.

Hoje te parecem desoladas todas as avenidas. Podes senti-las em tuas roupas que cheiram ainda aos corredores que se lançavam apressados nos portões
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Hoje te parecem desoladas todas as avenidas. Podes senti-las em tuas roupas que cheiram ainda aos corredores que se lançavam apressados nos portões de partida. Tudo foi claro e tudo foi absurdo, como agora no poema, quando rimas e melancolia brotam ridículas, pretensamente belas como orquídeas desmedidas. Amanhã, porém, tudo estará limpo e seco e reto. Cicatrizadas as feridas, restarão contra o céu muito branco da memória não mais que a silhueta precisa — pernas braços cabelos — daqueles pinheiros, tristíssimos, e uma palavra sem nexo: Curitiba, Curitiba.