Frase de Jeremias Edson cardoso
Acordei num silêncio que desfiava luz pela contramão do ar. Havia caminhos sussurrados antes mesmo de existirem, e duas janelas marchavam pelo teto como sentinelas sem rosto. Meu nome em pó num copo vazio desaprendia a ser meu. A casa, por fora, era um abraço inquieto, mas eu avançava sem passos, colecionando sombras como restos de um dia recusado. Um pássaro de barro tentou cantar meu rosto: respondi oferecendo peso ao vento. Tudo soava em desacordo, ruídos desalinhados, cores exalando lembranças que ninguém havia vivido. Virei a dobra do pensamento: toda presença era ausência mascarada. A luz desfiada, medo de clareza; o ar inventando rotas, minha urgência de fugir. As janelas marchando eram terras que nunca adentrei, e as sombras guardadas, lugares onde ainda não sei onde é O pássaro de barro rígido era afeto impossível insistia no meu silêncio. Ao fechar a porta do peito, o abraço virou fronteira. Desci. O passo caiu de mim. O telefone permaneceu mudo, enquanto o mundo chamava meu nome sem voz, sem idioma. Escrevi uma linha torta hoje deixo que o que me falta que me conduza para dentro da escuridão que insiste em não ter forma.
No pensador.ai desde