Pular para o conteúdo

Frase de Jeremias Edson cardoso

Acordei num silêncio que desfiava luz pela contramão do ar. Havia caminhos sussurrados antes mesmo de existirem, e duas janelas marchavam pelo teto como sentinelas sem rosto. Meu nome em pó num copo vazio desaprendia a ser meu. A casa, por fora, era um abraço inquieto, mas eu avançava sem passos, colecionando sombras como restos de um dia recusado. Um pássaro de barro tentou cantar meu rosto: respondi oferecendo peso ao vento. Tudo soava em desacordo, ruídos desalinhados, cores exalando lembranças que ninguém havia vivido. Virei a dobra do pensamento: toda presença era ausência mascarada. A luz desfiada, medo de clareza; o ar inventando rotas, minha urgência de fugir. As janelas marchando eram terras que nunca adentrei, e as sombras guardadas, lugares onde ainda não sei onde é O pássaro de barro rígido era afeto impossível insistia no meu silêncio. Ao fechar a porta do peito, o abraço virou fronteira. Desci. O passo caiu de mim. O telefone permaneceu mudo, enquanto o mundo chamava meu nome sem voz, sem idioma. Escrevi uma linha torta hoje deixo que o que me falta que me conduza para dentro da escuridão que insiste em não ter forma.

Jeremias Edson cardoso

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Jeremias Edson cardoso

A ausência constante não dói para sempre. Com o tempo, ela nos ensina a seguir em frente. Quando percebemos, já não sentimos mais falta.
Ela era a luz e desligou. Apagou sem ruído. Sem eco.
Continuar lendo

Ela era a luz e desligou. Apagou sem ruído. Sem eco. Só ausência ficou . Disse pra eu entender, como se sentir fosse opcional. Como se o peito fosse máquina, feito de lonsdaleíta, imune ao impacto com a terra. Arquivou a gente em um triste adeus . Simples assim. Um comando. Uma pasta nova. Sem passado. Mas aqui… nada foi deletado. Os sonhos continuam rodando em loop. Os sentimentos em arquivos corrompidos, impossíveis de abrir sem dor. Ela seguiu. E eu fiquei sozinho nesse intervalo estranho entre o que acabou e o que ainda insiste em existir. O amor morreu nela. Aqui, não morrerá. Em mimrespira baixinho, como sistema antigo, que ninguém usa mais… mas nunca desliga permanecendo em stand-by ..

Afaste-se sem alarde, sem explicação Preserve-se como quem guarda
Continuar lendo

Afaste-se sem alarde, sem explicação Preserve-se como quem guarda um fogo aceso no meio do frio Não abra espaço para vozes que não conhecem o peso dos seus silêncios O achismo dos outros é leve demais para sustentar quem você é Não duvide nem quando tudo em volta parecer ruído Você mora em si e isso deveria bastar Há um lugar dentro de você onde ninguém entra sem permissão cuide dele, não permita porque a sua energia é sagrada e não foi feita para qualquer toque nem para qualquer um descarrega-la siga sendo forte e sem olhar para trás

Há gestos que, embora nasçam pequenos, carregam o peso de mundos. Descobrem-se, mais tarde, capazes de redesenhar caminhos, torcer rumos e alterar o destino de uma vida inteira. Quando tais gestos tocam o fio invisível que sustenta o futuro, não é apenas o percurso que muda: é o…
Continuar lendo

Há gestos que, embora nasçam pequenos, carregam o peso de mundos. Descobrem-se, mais tarde, capazes de redesenhar caminhos, torcer rumos e alterar o destino de uma vida inteira. Quando tais gestos tocam o fio invisível que sustenta o futuro, não é apenas o percurso que muda: é o próprio caráter que se dobra, se rompe ou se refaz. Por isso, aqueles que ferem o orgulho alheio ou ousam enfrentar a lógica precisam agir com a firmeza de quem conhece a profundidade de suas próprias sombras. Enganos, sim, podem se dissolver no tempo — o perdão lhes é possível. Mas a metamorfose íntima, aquela que transtorna o espírito e o afasta de si mesmo, essa não encontra absolvição. Pois não se perdoa o que deixa de existir, nem o que retorna transformado demais para ser reconhecido.