Amor eterno
Te vi assim
Tão sublime
Tão fatal
Tão em mim...
Refiz em mim
Todos os sentidos
Que pensei perdidos
Ou mesmo nunca nascidos
E foi você
Quem despertou em mim
Entre o desejo e a paixão
Um grande e derradeiro amor
Lava/da/ alma
Não tenho a passividade dos que tem fé
Nem a conformidade dos que creem
Não tenho a aceitação dos que esperam
O prêmio de consolação
Por vezes até tento ter
Mas fala alto meus instintos
Explosivos e repentinos
Que me fazem blasfemar (ou cobrar)
O que a vida fez de mim
Ou o que eu fiz da vida
São paralelas tão minhas
Tenho que encarar
No despertar de todo dia
As cobranças em brasas ditas
Queimando o leito facial
Feito lavas salgadas da alma
Que tantas dívidas a serem pagas
Por estranhas criaturas
Colocadas num mesmo espaço
Confinadas num abraço
O amor é latente
As brigas presentes
A morte indigente
Os corpos...pressentem
(Nane-11/12/2014)
Lizandra
Me encantou o olhar matreiro de Lizandra
Encarando o meu de soslaio
Aguardando com paciência eu me afastar...
Seu corpo magro dentro do vestido
Deixava a mostra dois "gravetos"
Ainda sem curva nenhuma...
O cabelo, visivelmente embaraçado
Escorria-lhe pelos ombros pontudos
Escondendo seu sorriso malicioso
Entrei em casa e por detrás da cortina
Vi quando ela, feito um relâmpago
Subiu com maestria na mangueira (em meu quintal)
Não mais de dez minutos
Foi o que lhe bastou
Para encher de mangas a sacola
Desceu num salto de saltimbanco
E olhou sorrateira a sua volta
Procurando por alguém
Saí "brava" de casa e gritei:
-Peste! Espera que te pego
Ela sorrindo, desandou em correria
Me encantou a ousadia de lizandra
Roubando minhas mangas doces
Como as que eu roubava na infância
(Nane-04/12/2014)
Fila indiana
Segue a vida sem contestação
Aceitando de cabeça baixa
Do "destino," a decisão
Que melhor (?) foi tomada
Pouco importa as consequências
A vida segue em frente
E o azar é só de quem ficou
E não de quem se foi
Se acabou ou começou
Incógnita sem um x da questão
Tênue filete de dimensão
Feito o crepúsculo entre o dia e a noite
A brisa que sopra a calmaria
Deixa para trás a ventania
Da tempestade atravessada
No cume da alma
Segue a vida sem contestação
Por pura e simples constatação
De que é preciso seguir de mãos dadas
Sem perguntar pra onde ir
(Nane-25/11/2014)
Novembro negro
E lá se vai novembro...
Levando consigo
Tantas lembranças
Tantas palavras
Tantos abraços
Tantas esperanças
Tantos carinhos
E lá se vai novembro...
Levando consigo
Dentre tantas pessoas
Uma tão imensa
Num corpo pequeno
Que de "Baixinha"
Eu chamei
E la se vai novembro...
Deixando a saudade
E um legado
De áureos tempos
Onde tanta gente
Aprendeu na convivência
A ser solidário
E lá se foi novembro...
Na certeza de uma volta
Que não sei quem vai estar
Na despedida do outubro
Vindouro e esperançoso
De um novo tempo
Certo que chegará
Que venha dezembro...
(Nane-30/11/2014)