Frase de Eli Odara Theodoro
“A fartura na Sexta-feira Santa” Dizem que na Sexta-feira Santa é dia de silêncio, de dor, de lembrar o sangue, a cruz, o peso do mundo inteiro. Mas lá no fundo da casa, onde o cheiro do dendê dança no ar, tem panela no fogo, peixe no ponto, e a mesa… cheia. A fartura não é desrespeito. É memória de um povo que aprendeu a fazer do pouco, muito. É boca cheia de reza, mão cheia de afeto, é o corpo que resiste, que partilha, que celebra. Fartura é também fé — mas uma fé com gosto de terra e sal, uma fé que não nega a dor, mas escolhe a vida. Porque pra muita gente, a cruz foi mais que símbolo: foi história viva, foi tronco, foi castigo. E mesmo assim… os nossos escolheram a mesa, não a mágoa. O peixe, não o pranto. O banquete, não a prisão. A fartura na Sexta-feira Santa revela um segredo antigo: que mesmo na dor, a vida insiste. E a gente, quando come junto, resiste. Feliz Páscoa!
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