Frase de Andréia Clara Galvão
Os dias e fios Só sinto os fios a minha volta, Não tenho deles nenhuma claríssima percepção. Mas sou mulher Fêmea e E por isso, intuo São eles, os sentidos fios, que tecerão o meu abrigo. Sempre que posso tento separa-los Desembaraça-los Compreendê-los Tatear o que são Ouvir o que de mim ou para mim eles dizem Se consigo Faço com eles minha arteManha Meu alimento, meu trabalho, Minha tessitura Minha vida Meu jeito de amar Meu sonho e minha salvação Se não consigo Entrego-me aos ritmos da vida Essa que comigo e também a minha revelia, fábrica os fios Entregar-se não é coisa simples Resistir é para teimosos Eu, frequentemente, sou Mas a questão é que, às vezes, Não há escolhas A Vida tem seus imperativos Pois, sim Também experimento resignações Conheço algo das leis de viver Mesmo se delas, Por vezes, Nada compreendo Ainda assim, confio Espero, Deixo Torço que se engendrem: A vida, as circunstâncias Meus jeitos de amar Meus sonhos... Viver é fruir E se acaso minha salvação não chegar... Que eu possa buscá-la Sonha-la Que eu possa reinventar Alguma renda fiada com os fios Da compreensão Dos embaçados e das escuridões. Quem sabe algum lume de luz Venha Clareie Quem sabe alguma luz se borde Quem sabe algum perfume crie Luminescências nas abstratas flores da escuridão E das ignorâncias minhas Só sinto os fios a minha volta, Não tenho deles nenhuma claríssima percepção. Mas sou gente Mulher Fêmea e por isso, intuo: Conhecidos ou estranhos Nebulosos ou iluminados Sou aracne Esses fios me abrigam Eles são o meu viver
No pensador.ai desde