Frase de Carlos de Castro
MEU MAR MINHA LINHA Era eu um pequenito Naquela praia grande De areal imenso Do então Espinho extenso. Eu ficava sozinho Sentado numa pedra Mais ao longe Como que a comandar A proa do meu barco Rumo àquela linha do horizonte Que eu via sempre direitinha Com aqueles barcos grandes De cargas de pão, de ouro E especiarias, nos porões Das fantasias. Se calhar alguns petroleiros Assaltados pelos piratas Da minha verde imaginação Que passavam com pachorra, Na linha, do mar quente de verão. E eu então imaginava: Para além daquela linha, ficava A Beira de Moçambique, Era aí que o meu pai morava. Não muito longe, eu via numa tela: A Caracas do meu tio Vitorino, Emigrado em Venezuela. Depois, de barriga vazia Voltava à areia da praia, Morna da sorna da tarde Que se ia com os barcos E convidava ao sono. Então, eu cobria-me com o meu manto De areia E, entretanto, Adormecia... (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-05-2023)
No pensador.ai desde