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Frase de Carlos de Castro

MEU MAR MINHA LINHA ⁠Era eu um pequenito Naquela praia grande De areal imenso Do então Espinho extenso. Eu ficava sozinho Sentado numa pedra Mais ao longe Como que a comandar A proa do meu barco Rumo àquela linha do horizonte Que eu via sempre direitinha Com aqueles barcos grandes De cargas de pão, de ouro E especiarias, nos porões Das fantasias. Se calhar alguns petroleiros Assaltados pelos piratas Da minha verde imaginação Que passavam com pachorra, Na linha, do mar quente de verão. E eu então imaginava: Para além daquela linha, ficava A Beira de Moçambique, Era aí que o meu pai morava. Não muito longe, eu via numa tela: A Caracas do meu tio Vitorino, Emigrado em Venezuela. Depois, de barriga vazia Voltava à areia da praia, Morna da sorna da tarde Que se ia com os barcos E convidava ao sono. Então, eu cobria-me com o meu manto De areia E, entretanto, Adormecia... (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-05-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)