Frase de Priscilla Dias Cavalcante
Vivia assim Solitário Tão solitário quanto a lua num céu sem estrelas Mudo Calado Porém feliz. Tinha um travesseiro Coberto de lembranças E um cobertor Feito de retalhos Retalhos de sua própria alma. O orvalho que caia do céu Regava-lhe as esperanças E as estrelas Iluminavam – lhe o caminho Quando todas as outras luzes se apagavam. O suor que lhe caia do rosto Fazia brotar a semente E os olhos Quase fechados Ainda viam quase o invisível. Tinha os pés cansados Empoeirados Rachados de pisar o chão Mas nada no mundo dava-lhe mais prazer Que caminhar por cima da terra Melhor que ser coberto por ela Dizia ele. Na cabeça Um chapéu Já gasto pelo tempo Mas que ainda dava pro gasto. Tinha em si o perfume do mato E nas mãos Calos Pra mostrar que a gente se acostuma com tudo Até mesmo com a dor E ela passa E vai embora E de repente Nem se sente. O coração? Bom Esse ainda batia forte Mais forte ainda Quando se lembrava de sua amada. Não tinha saudades da vida longe do campo Só tinha saudades dela E mesmo depois de tantos anos Ainda a amava Cuidava Regava. Em meio a imensidão árida Podia-se ver um jardim Pequeno Bem cuidado Repleto de rosas brancas. Havia também uma placa Que por distante estar Não pude ler. Perguntei-lhe sobre o jardim E ele Respondeu apenas: Ali Plantei minha rosa mais bela E como prometi-lhe um dia Regarei nosso amor para sempre Quando me aproximei Pude ler O que com uma trêmula letra Se havia escrito “Te amarei para sempre, Maria.”
No pensador.ai desde