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Frase de Gean Zanelato

"Para de mimar youtuber" disse Jout Jout Eu tenho uma estranha relação com redes sociais. Quando desconheço a pessoa que eu sigo, normalmente eu anulo a existência dela. Minha mente não enxerga o perfil como uma janela, mas como um quadro fixo na parede. Nunca parece alguém que posso tocar, conversar, beijar, ter uma conversa normal. Mas como uma imagem construída para ser admirada, observada, curtida. Esqueço da pessoa real. Tanto que, quando cruzo com ela na rua, mal sei como reagir. Isso acontece principalmente com o perfil de pessoas conhecidas. Ao cruzar com a Jout Jout num evento eu quase perdi o ar. Quando encontrei pessoalmente a cantora Demi Lovato, eu despenquei num estado de nervosismo, confusão, mal sabia o que falar. Foi só depois de deixar o lugar que eu percebi: que escândalo à toa. Era só uma pessoa como eu. Como todo mundo. Na ocasião da Jout, ela mesma me alertou: “Para de mimar Youtuber!”, reconhecendo minha completa ignorância. É interessante a forma como a nossa mente nos engana. Ela nos faz acreditar que há coisas separadas. Como se houvessem seres humanos diferentes dos que conhecemos. Como se o ser humano que trabalha na globo não precisasse ir ao banheiro. Como se o ser humano da Rocinha, que mal tem o que comer, não sonhasse em trabalhar na tevê. Como se a youtuber não tivesse uma família, não ficasse carente, não se questionasse sobre a vida. Mas somos a mesma espécie. Há diferenças entre signos, acredito, porém no fundo temos as mesmas necessidades. Queremos ter uma carreira bem sucedida e conquistar independência. Queremos que nossos filhos tenham filhos e frutifiquem a árvore da família. Todos querem ser amados, encontrar bons amigos e morrer bem velhinhos. Tá aí uma característica que compartilhamos: viemos de uma relação entre nossos pais e temos o mesmo destino trágico. Morremos. Todos nós. Desde a youtuber famosa ao seu irmãozinho caçula que acabou de nascer. Enquanto estamos vivos, é bom reforçar a função das redes sociais: criar redes de relacionamentos. Relações entre pessoas, seres humanos, gente como a gente. Tanto o vídeo no youtube, como bate-papo do Facebook, ou o direct do Instagram são janelas. Através das quais podemos nos aproximar de outros seres que choram, que sentem e que sonham assim como nós. Tão vivos quanto e com dificuldades comparáveis. Antes de “endeusar” alguém que vê pela internet, televisão, ou por perfis de redes sociais, lembre-se: somos a mesma espécie. Não se rebaixe nem se coloque acima de ninguém. Não existe isso de melhor ou pior. Existem os que atingem mais rápido a maturidade, que sobem cedo na carreira, que conseguem os melhores contatos. Mas lembre-se que você tem desde o nascimento até a morte para construir sua vida. Não é como o tempo do outro. Talvez o outro morra muito antes. Como você se relaciona pelas redes sociais? Já percebeu que são janelas para outros seres?

Gean Zanelato

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Gean Zanelato

SILÊNCIO No silêncio tudo se ouve. Os pensamentos, os sentimentos, o medo, o coração. De olhos fechados, o bafo da morte ressoa por perto. Também os passos no assoalho, os latidos caninos e o vento pavoroso que não vem de lugar algum. No silêncio a ansiedade cede espaço à calma…
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SILÊNCIO No silêncio tudo se ouve. Os pensamentos, os sentimentos, o medo, o coração. De olhos fechados, o bafo da morte ressoa por perto. Também os passos no assoalho, os latidos caninos e o vento pavoroso que não vem de lugar algum. No silêncio a ansiedade cede espaço à calmaria, virtude quase sem voz durante o dia. Nela sossegam-se os ânimos, intensificam-se os cheiros, percebem-se os detalhes em pequeno, médio e grande plano. Silêncio é lugar de pensar antes de falar, se arrepender e confessar, sorrir sem se orgulhar. É nele que a culpa fala mais alto e a humildade ocupa seu lugar de dever. No silêncio nós nos recuperamos após a morte de um amor. E reencontramos o pouco de nós que se perdeu com o outro que saiu pela porta. Vemos e ouvimos o que requer apreciação: uma flor, o mar, um gesto, uma ruga, um olhar. Somente no ato de não manifestar pensamentos é que olhamos de verdade. Olhamos sem falar nem julgar. O silêncio é uma barreira invisível, atrás da qual nos escondemos. Nós nos ocupamos com ruídos a todos os momentos por medo de cair no vazio. Escutamos os barulhos sem ouvi-los, tratando tudo e todos como trilha sonora de um universo que nos rodeia. Aumentamos o volume da playlist, ligamos a tevê, entramos no Youtube, tudo porque quietude demais nos assusta. No silêncio dois olhos se encontram para ver além dos olhos. Olham para um lugar dentro do outro onde há ternura, apatia ou desprezo. Também a pele ganha outro sentir no silêncio. Um toque de mãos muda de nome e um beijo... ah, um beijo são mil palavras não ditas. No silêncio não falamos besteiras das quais nos arrependemos, mas refletimos sobre arrependimentos que não tivemos coragem de falar. Também nos constrangemos, irritamos, nos entediamos com a ausência de som. Isso porque confundimos a abundância da respiração, do fundo dos mares e do interior de nós mesmos, com o que chamamos de nada. O silêncio é deus. Silêncio é tudo.

INSATISFAÇÃO Acontece a qualquer momento. Enquanto passo o pó de café, finalizo um relatório importante, ou durante a faxina de todo o santo dia. Entre uma música e outra no rádio, o silêncio abafa e escuto: fuja. Levanto as sobrancelhas e olho pros lados. Ufa. Ninguém ouviu. Es…
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INSATISFAÇÃO Acontece a qualquer momento. Enquanto passo o pó de café, finalizo um relatório importante, ou durante a faxina de todo o santo dia. Entre uma música e outra no rádio, o silêncio abafa e escuto: fuja. Levanto as sobrancelhas e olho pros lados. Ufa. Ninguém ouviu. Esse desejo secreto, quase bandido, que faz da minha própria vida uma refém de mim mesmo. O cotidiano é uma arma pressionada contra a minha cabeça. Despertando às 7h, horários marcados. Passa hora, passa dia, passa noite, continuo preso, sem ter aonde ir. Ando em círculos numa cela do tamanho do mundo. Tantas vias, mas tão complexas. E esse meu destino, distante, que nem sei se existe. Por um instante eu fico feliz. Conquistei o que eu queria, beijei , escrevi, li, trabalhei, corri, comi, caguei. Mas e depois? A felicidade se esvai a cada meta alcançada. Depois só me resta sonhar e esperar de novo pela alegria da realização. No momento seguinte, acabou. A felicidade não dura, sequer, um momento. Minha vontade de ir embora é a plenitude da satisfação, pois a rotina calculada me embrulha o estômago. “Bom dia, amor”. “Deixei a chave embaixo do tapete”. Mensagem por mensagem, deixo a mim mesmo embaixo do tapete. Deixo o eu que quer viajar. O eu sem hora pra voltar. O eu que não depende de nada nem ninguém para fazer o que quiser. É difícil ser fiel a uma rotina quando bem no fundo de mim sei que não pertenço a lugar nenhum. Minhas roupas são escorregadias. A cadeira em que almoço, desconfortável. Até o sagrado quarto aonde descanso todas as noites é alugado. Nada é meu. Só o meu corpo me pertence, e ainda assim eu o maltrato. Às vezes deixo de comer, aperto a cinta, raspo meus pelos como se não reconhecesse minha pele. Vejo no espelho: ainda que eu fuja desta casa, continuaria preso num corpo limitado para as minhas expectativas. Dia após dia, essa é a vida. Medrosa que é, ela se esconde atrás de máscaras, abaixo de camadas de ossos, carne, pele e roupas. Dia após dia, se camufla da morte por debaixo das músicas do rádio, barulho d’água monótona na pia e das vozes que abafam o silêncio. A vida é a insatisfação que grita no silêncio. Mas não a ouço direito pelo meu próprio medo de viver. E assim eu me acostumei a morrer dia após dia.

Enquanto jornalistas contavam histórias sobre falta de água, casos de fome e investigavam as origens das tragédias, lá estava eu: pesquisando sobre cidades para passar a lua de mel, escrevendo sobre looks, Netflix e personagens de novela. Senti como se fosse um pássaro sobrevoand…
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Enquanto jornalistas contavam histórias sobre falta de água, casos de fome e investigavam as origens das tragédias, lá estava eu: pesquisando sobre cidades para passar a lua de mel, escrevendo sobre looks, Netflix e personagens de novela. Senti como se fosse um pássaro sobrevoando os escombros de um grande desastre. Imune à lama e ao sangue alheio, e presenciando o sofrimento de todos sem ajudar ninguém. Quando eu senti a necessidade de mergulhar… percebi que sou um jornalista, não um publicitário.