Frase de Fabiano Calixto
JUGULAR o gato afia as espadas de samurai em cada uma de suas patas nada escapa de tal arte atroz: da jugular da tarde salta um sangue viscoso para dentro da noite veloz
No pensador.ai desde
JUGULAR o gato afia as espadas de samurai em cada uma de suas patas nada escapa de tal arte atroz: da jugular da tarde salta um sangue viscoso para dentro da noite veloz
No pensador.ai desde
continua a agonia do futuro rezando em mim
continua a agonia do futuro rezando em mim como um relógio
eu não entendia & ela se mexia tanto ao meu lado & aqueles bancos apertados
eu não entendia & ela se mexia tanto ao meu lado & aqueles bancos apertados o ar condicionado gelando tudo (os brincos dela, o meu humor) mais de uma hora cruzando ruas, avenidas, parágrafos – o livro gritando alto num mundo surdo depois de arrumar-se mais algumas dezenas de vezes passou batom nos lábios o sol já estava no meio do céu quando ela se levantou foi então que percebi que três pequenos pássaros voavam em suas costas
(a dor nos traz anseios tolos – como fazer a Terra voltar meses, anos atrás, como fez
(a dor nos traz anseios tolos – como fazer a Terra voltar meses, anos atrás, como fez aquele herói extraterrestre do filme e do álbum de figurinhas que juntos colávamos em muitas manhãs de domingo – ou olhar uma estrela e imaginar que você dorme em algum lugar ali por perto – e nos dá a medida do tempo e continuamos sem entender medida alguma, aguardando o barco retornar de Delfos para que possamos, também, nos despedir definitivamente desse nosso bosque liliputiano)
entre noites melancólicas, ruas sem saída,
entre noites melancólicas, ruas sem saída, dia após dia cultivando a ferida aberta, custou-me, nuvens perdidas, passeios só, suor a contragosto, frio, no fundo do poço, raiva cobrindo o corpo todo, contas a pagar, falta de ar, febre amarela, febre do rato, tifoide, deixando de lado o amor (sopro cosmo humano) disenteria, erros calculados, a poesia?