Tenho medo, sim. Mas não do mundo — tenho medo do que o mundo tenta fazer de mim.
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Tenho medo, sim. Mas não do mundo — tenho medo do que o mundo tenta fazer de mim. Porque percebo tudo. O excesso, o ruído, a grosseria que se esconde em gestos pequenos, o silêncio que fere mais que palavras, a indiferença que se apresenta como neutralidade. Vejo como cada interação tenta moldar, corrigir, reduzir, empurrar o outro para papéis que não escolheu. E sei que absorver demais é o primeiro passo para a descaracterização do ser. Por isso, resisto. Não por fragilidade, mas por consciência. Recuso o jogo, o labirinto de estímulos previsíveis, as investidas que buscam reação, não diálogo. Não respondo ao obscuro, não espelho a violência, não negocio minha essência por aceitação. Isso não é personalidade. É disciplina interior. É inteligência aplicada à sobrevivência do eu. Permanecer inteiro num mundo que recompensa a deformação é, talvez, a forma mais elevada de lucidez.