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O tempo...🌿 O tempo é o mais silencioso dos escultores. Ele não pede licença, não avisa, não se detém. Apenas passa, e em sua passagem molda rostos, destinos e memórias. Ele não nos rouba — ele nos oferece. Oferece maturidade, cicatrizes que se transformam em sabedoria, e a ch…
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O tempo...🌿 O tempo é o mais silencioso dos escultores. Ele não pede licença, não avisa, não se detém. Apenas passa, e em sua passagem molda rostos, destinos e memórias. Ele não nos rouba — ele nos oferece. Oferece maturidade, cicatrizes que se transformam em sabedoria, e a chance de olhar para trás com gratidão. Cada linha no rosto é um poema escrito pela vida; cada olhar mais profundo é a assinatura da experiência. O ontem nos mostra a semente. O hoje revela a árvore. E o amanhã será a sombra que acolhe aqueles que virão depois de nós. O tempo não diminui, ele amplia. Não apaga, ele ilumina. Não prende, ele liberta. Que cada fase da vida seja digna de celebração, pois o tempo é o mestre que nos ensina que não importa quantos anos se passem, o essencial é continuar crescendo, aprendendo e se reinventando. “O tempo não é um inimigo que nos rouba a juventude, mas um mestre que nos oferece profundidade. Ele não leva embora quem fomos, apenas revela quem podemos ser.” Roberto Ikeda autor

Roberto Ikeda
[Antífona do Último Sábio a deixar o Recinto] O fim, Chega para todos,
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[Antífona do Último Sábio a deixar o Recinto] O fim, Chega para todos, Em sua totalidade. O mundo é deveras medíocre, Se não o fizermos extraordinário. Em cada contorno Um universo peculiar, A cada traçado, A obra-prima Se revelando. Eu não ousaria dizer O que você deve fazer Com a sua vida, Porque eu não admitiria Que você dissesse, O que eu devo fazer Com a minha. A vida vai ter Que me arrancar daqui, Eu não vou sair Por conta própria. Eles condenaram o mundo, Enquanto dormíamos Tranquilamente, Sonhando com um futuro, Em nossa ingenuidade Permanente, Esquecemos, Que para fazer planos É necessário um presente. Quando digo eles, Estou dizendo Nós. Constatando A estupidez Estampada na carne, Só há uma forma De viver neste mundo, E é discordando dele. Pois, O destino do poder é a ruína. Às vezes Queremos atribuir, Um sentido grandioso E extraordinário, A momentos Específicos da vida. Mas com o tempo, Percebemos, Que só os instantes Mais singelos, São sublimes. E que a simplicidade É o que há, De mais sofisticado No UNIVERSO. Assim sendo, Tudo Chega ao fim, Até mesmo A finalidade. E a Poesia começa, Quando o Poeta termina. (Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

Bruno Michel Ferraz Margoni
Imundos Cavalheiros e Senhores Trogloditas (Michel F.M.)
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Imundos Cavalheiros e Senhores Trogloditas (Michel F.M.) Decapitamos as folhagens Que perfumavam o calabouço, Cada centavo foi gasto Tentando ocultar o mau gosto. Em meio à introdução Do caos aparente, Restabelecemos a desordem vigente. Na cronologia mortuária eis, Um breve ensaio Sobre a sádica e sórdida supremacia. Os bípedes domaram quadrúpedes, Os símios subestimaram seus primos, O humanoide humanizou os homens, O homo sapiens colonizou seus vizinhos. Os egípcios superaram os nômades, Os Incas suplantaram os Maias, Ou seriam Astecas, enganando A banca, para fechar a trinca e povoar as praias. Tribos matando tribos, A maior herança das involuções, Matamos dentro das cavernas, Do parlamento às favelas, Nos palácios, nas mansões. Trucidamos a generosidade, Massacramos a misericórdia, Compreenda o fato que nos define, Exterminar é nossa maior vocação. Os gregos lograram troianos, Os romanos torturaram cristãos, Os romanos dominaram os gregos, Os cristãos perseguiram pagãos. Os franceses atacaram ingleses, Os ingleses revidaram de antemão, Escoceses, irlandeses, gauleses, Se engalfinhando por um reino Desunido, desnudo e sem pão. Fariseus, hereges, sodomitas. Pervertemos, desvirtuamos, Estatizamos, privatizamos, Adulteramos, destituímos, Terceirizamos, capitalizamos, Produzimos, consumimos, Apodrecemos, enterramos, Estupramos o globo, Com nosso glorioso estilo. Escravizamos nossos irmãos, Catequizamos nossos irmãos, Civilizamos nossos irmãos, Violentamos e aguardamos gratidão. Estamos exatamente onde não deveríamos, Tudo o que fizemos é errado, Somos erros incompreendidos. Nenhum de nós é culpado, Nenhum de nós será lembrado ou esquecido. Desleixados, baderneiros, perfeccionistas, Somos todos meros antagonistas, Vivendo, entre Imundos Cavalheiros E Senhores Trogloditas. Somos meros antagonistas, Somos todos perfeccionistas. [Linha (Tênue) Rompida - Esplêndida Face Magnífica]

Bruno Michel Ferraz Margoni
“Há experiências que carregam em si um direito sagrado: o de serem reveladas no tempo escolhido por quem as vive. A pressa alheia, quando invade esse espaço, não fere apenas a ordem dos acontecimentos, mas a dignidade de sentir cada etapa em sua plenitude. O silêncio, a espera e…
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“Há experiências que carregam em si um direito sagrado: o de serem reveladas no tempo escolhido por quem as vive. A pressa alheia, quando invade esse espaço, não fere apenas a ordem dos acontecimentos, mas a dignidade de sentir cada etapa em sua plenitude. O silêncio, a espera e a delicadeza são guardiões da intimidade. Rompê-los é negar ao outro a liberdade de florescer no seu próprio ritmo. Respeitar o tempo de alguém é mais do que cortesia — é reconhecer sua humanidade.”

Tatianne Ernesto S. Passaes
A síntese de O Cristo Nu pode ser entendida como uma narrativa poética que aproxima a figura de Cristo da realidade cotidiana e social contemporânea. Síntese O poema apresenta Cristo despindo-se da glória divina para caminhar entre os homens, tornando-se humano e próximo dos ma…
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A síntese de O Cristo Nu pode ser entendida como uma narrativa poética que aproxima a figura de Cristo da realidade cotidiana e social contemporânea. Síntese O poema apresenta Cristo despindo-se da glória divina para caminhar entre os homens, tornando-se humano e próximo dos marginalizados. Ele é visto nos trabalhadores comuns, nos diaristas, catadores, ambulantes e nos que carregam cruzes invisíveis. O texto denuncia as injustiças sociais, comparando o sofrimento moderno às imagens bíblicas da Paixão: boletos como chicotes, preços como lanças, mercado como calvário. As “trinta moedas de pratas” simbolizam a corrupção e a ganância que ainda vendem destinos e silenciam vidas. Cristo chora junto aos Lázaros de hoje — os pobres, os esquecidos, os que dormem sob marquises e disputam restos. Ao mesmo tempo, o poema afirma que não virá salvador externo: cada pessoa é chamada a ser “seu próprio Cristo”, a assumir compaixão, esperança e resistência. A ressurreição é apresentada como experiência diária, nos gestos simples e na sobrevivência diante da violência. O legado do Cristo nu é a força da humanidade que, mesmo abatida, renasce todos os dias. Em resumo, O Cristo Nu é um manifesto poético que une espiritualidade, crítica social e filosofia existencial, mostrando que o divino se revela no humano e que a redenção se dá na luta cotidiana pela dignidade e pela esperança. ⁠O Cristo Nu I – Abertura e cotidiano Olhai, olhai os pássaros em seus voos misteriosos, Olhai as flores em seu desabrochar livre. Vede os lírios nos verdes campos: se vestem tão belos e trazem os aromas pela manhã, espalhando perfumes pelo ar. Portanto, eu aqui, ao olhar com clareza, avisto: quão formosos são, assim como a alma dos que labutam suas lutas diárias. Pois, se a alma brilha sob o peso do fardo, o homem exala em si a rara fragrância da nobreza — o aroma sagrado de quem constrói o mundo. E quando o Verbo habitou entre nós, revelou-se: Ele, o filho do carpinteiro, moldou como artífice a madeira e os pregos que o sistema, um dia, usaria contra Ele. Assim como o construtor de hoje, que ergue o prédio onde jamais terá morada, Ele se ajusta agora em meio a rostos cansados, a operários e à multidão das ruas. São os cristos diários, batendo ponto em fábricas e escritórios, sob as luzes das lanchonetes e o óleo das mecânicas. Cristos na diarista, nos postos, no catador de lixo, no vendedor de água e nos trens com seus ambulantes. Almas de mão de obra erguidas para construir presentes e futuros, nos alojamentos distantes e no suor do asfalto. Eis o corpo: o vigor entregue às máquinas e aos balcões. Eis o sangue: o fluido que move a economia do cansaço. O sagrado se transmuta no suor das batalhas, onde cada gota de lágrima é o vinho de uma nova aliança com a vida. A simplicidade resiste ao ego insano. Resta um Cristo nu, de braços abertos, folheando páginas do tempo e da história. Moedas ainda compram vidas; esperança ainda se esconde nos cantos da alma. II – O Cristo que desceu patamares Um Cristo que desceu patamares: primeiro, despiu-se de sua glória celestial e caminhou entre os homens; depois, desceu da cruz para mostrar o caminho — não de forma divina, mas humana — o caminho da compaixão, da esperança, da expiação que se revela no cotidiano. III – O Cristo chora Periférico caminha pelas ruas, a compartilhar o pão vivo da esperança com os largados nos corredores de hospitais, com os espremidos nos ônibus e trens das manhãs de segunda-feira. São os Lázaros de agora: os que dormem sob marquises, disputam restos com ratos nas ruas, caminham como almas perdidas, envoltos em sua dura realidade ambígua, carregando cruzes sem nome, à espera de um milagre que não vem. Seu Getsemani é o travesseiro nas noites traiçoeiras. O traidor que o vende por trinta moedas é a cegueira diante do enredo criado. Sua Via Crucis é feita de congestionamentos, lotações e filas intermináveis. Um Cristo que não sorri, não reclama; guarda uma vaga esperança de dias melhores, mesmo desajeitado na cruz. Uma cruz herdada, uma cruz que nasceu com ele. Sem saber, grita ao Pai: “Perdoe, eles não sabem o que fazem.” Num desses dias, o Cristo calou-se e começou a chorar, não pelo amigo Lázaro, mas pelo leite azedo que puseram à mesa. Ali, não teve o bom vinho; fizeram do leite, coalhada. A esponja de vinagre veio em forma de luz cortada pelo dinheiro que faltou. Houve quem, como o centurião, agarrando-se ao seu manto escarlate, surtou; mas aqui, o manto é a pele no sol a sol, e o escarlate é o suor e o sangue deixado. Houve um certo Cirineu que se juntou para arrastar o madeiro, simpatizando com seu choro e sua dor. IV – As moedas de pratas Trinta moedas de pratas ainda vendem destinos, ainda compram silêncios, ainda pesam na balança da injustiça. São vendidas por um sistema caótico, num banquete de ganância, prepotência e luxúrias, onde vidas se tornam mercadorias e esperanças se desfazem em pó. V – O Cristo político-social Eu vi meu Cristo sorrir quando chegaram com pão e leite frescos, e no mesmo instante soou algo estranho na TV: falavam dos dois ladrões — o capitalismo à direita, o socialismo à esquerda. E surgia o terceiro, chamado Barrabás: um mecanismo chamado governo, eloquente e audaz, prometendo o céu já que o paraíso não tinha dado certo. O pão nosso é a labuta do cotidiano, o templo se ergue no seio da família, e o sagrado é a força motriz de quem tece dias melhores. Meu Cristo Nu habita em cada alma que expia sua existência em dias tempestivos; pois o sagrado não ocupa palácios majestosos, nem habita catedrais de pedra, vindo Ele de uma manjedoura para brilhar na resiliência de quem não se dobra ao fardo e na resistência de quem sustenta o mundo com as próprias mãos. O cálice deste Cristo é o sistema corrompido, entre ternos, carros de luxo e vida boa. O chicote que o açoita são os boletos diários e impostos extravagantes. As carnes continuam rasgadas, sem esforço, pelo braço forte da indiferença. VI – O Cristo interior A lança transpassada é o anúncio na alta dos preços, e o mercado é o calvário. Não virá salvador algum para fazer o que só você pode fazer. Tu és o teu próprio Cristo. O Divino já disse: “Vós sois deuses.” E, por isso, como pequenos cristos, somos levados — dia após dia — cativos, como ovelhas ao matadouro, como cordeiros mudos ao abate. VII – Paixão e ressurreição cotidiana A Paixão de Cristo são os regalos dos passeios; o piquenique no parque da esquina, o vão das coisas ditas nos olhares cheios de ternura, nos momentos simples. A ressurreição é o mote diário, equilíbrio entre estar vivo ou morto nas trevas da violência. Num domingo qualquer verei o Cristo descansar. O dia é dele. E sagrou-se senhor do seu dia. Um dia tranquilo, movido a cheiro de mirra e aloés: a fragrância final de quem, enfim, cumpriu sua jornada. Todos os dias nascem novos cristos. E quando eu me for, matarão esses novos cristos que vieram à terra. Só não matarão o legado do Cristo nu. Nossa ressurreição é diária dentro deste ciclo. Autor: Israel Soler

Israel Soler
Aquela criança já deixou de existir — pelo menos fisicamente, pois ainda vive nas lembranças. Hoje, tu és um adolescente, uma pessoa independente que está se formando neste mundo tão desafiador e caótico. Mas, de cada fase, se Deus quiser, sairás vitorioso e tudo acontecerá no te…
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Aquela criança já deixou de existir — pelo menos fisicamente, pois ainda vive nas lembranças. Hoje, tu és um adolescente, uma pessoa independente que está se formando neste mundo tão desafiador e caótico. Mas, de cada fase, se Deus quiser, sairás vitorioso e tudo acontecerá no tempo certo; por mais difícil que seja, não percas a tua fé. Para tanto, entre outras coisas, desejo que sejas sempre esperançoso e prestes muita atenção em todas as bênçãos. Trata a gratidão a Deus como indispensável: Ele será a tua fortaleza, dará ânimo quando estiveres cansado e sabedoria diante das incertezas. Afasta-te daqueles que não te fazem bem ou que não querem o teu bem de fato. Cometerás muitos erros; isso é inevitável e faz parte do preço do aprendizado. Ninguém é perfeito, todavia, busca acertar o máximo que puderes. Tudo bem se falhares; usa a falha para aprender, de modo que não venhas a perder os teus valores e princípios. Só permanecerá contigo quem realmente estiver ao teu lado, tanto no sofrimento quanto no regozijo. Sinceramente, não quero que te sintas pressionado. Aproveita esta fase que está apenas começando da melhor forma possível: com sabedoria, responsabilidade e sem pressa. Não te esqueças do temor a Deus e de que não estás sozinho. Nos teus caminhos, também aparecerão pessoas incríveis que farão uma baita diferença nos teus dias. Por fim, não olhes somente para a superfície: lê nas entrelinhas e vive tudo o que Deus permitir.

Jefferson Freitas.
Somente atingiremos um ponto humano evoluído, o dia em que não olharmos somente para nosso próprio umbigo. O dia enxergamos o outro, que estendemos as mãos, e nos movemos em nos doar em boas dádivas aos outros, aí sim, chegaremos a um nível elevado. Sem acepção, sem elitismo, não…
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Somente atingiremos um ponto humano evoluído, o dia em que não olharmos somente para nosso próprio umbigo. O dia enxergamos o outro, que estendemos as mãos, e nos movemos em nos doar em boas dádivas aos outros, aí sim, chegaremos a um nível elevado. Sem acepção, sem elitismo, não levando as diferenças em conta. Sim, e é nesse dia que agimos dessa forma (não por obrigação, mas por essência e princípio) que vamos observar a mudança em nós mesmos.

AC Lopes
Eu já errei… e não foi pouco não por imaturidade… falta de coração briguei na escola pra provar que eu era forte
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Eu já errei… e não foi pouco não por imaturidade… falta de coração briguei na escola pra provar que eu era forte sem saber que força mesmo era mudar minha própria sorte empurrei quem só queria brincar comigo fiz do orgulho escudo, fiz da raiva abrigo menti por medo, calei por vergonha carreguei silêncio que ainda me acompanha feri com palavras que eu nem lembrava mais quem ouviu guardou… cicatriz não volta atrás quis ser adulto sem saber ser homem confundi aplauso com valor do meu nome andei com quem brilhava… mas por fora e deixei de ouvir quem me alertava por hora amei errado, por carência, por impulso jurei futuro com sentimento avulso casei sem amor achando que era destino de novo rsrs, e era medo de ficar sozinho erros que arrependemos profundamente erros de ser jovem demais, inconsequentemente erros de amar sem saber o que é amar de falar demais, de não saber calar mas se hoje eu penso diferente é porque ontem eu fui imprudente cada falha virou aprendizado cada tombo me deixou mais preparado fingi que tava bem quando tava quebrado sorri na foto mas por dentro devastado não pedi ajuda, quis ser invencível mas todo herói também é falível pedi desculpa tarde demais perdi pessoas que não voltam jamais e entendi que o tempo não negocia ele ensina… ou cobra um dia no meio dos meus erros encontrei direção meus filhos viraram norte, mais opção uma me traz luz, outro me traz chão o caçula me ensina força na decisão três motivos vivos pra eu ser melhor três espelhos dizendo pra eu ser maior e no amor eu parei de correr hoje é amor, e não é preencher ela é paz quando o mundo faz guerra é firme quando desmorona a terra se ontem eu errava tentando provar hoje eu acerto só por saber amar...

Niasa
Apego Ato 3 (O palco ainda guarda vestígios do trono quebrado. A luz nasce lenta, como amanhecer.) Sobre as ruínas, permaneço.
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Apego Ato 3 (O palco ainda guarda vestígios do trono quebrado. A luz nasce lenta, como amanhecer.) Sobre as ruínas, permaneço. Não mais de joelhos. Não mais cego pela própria devoção. Aprendi tarde, mas aprendi que amor não é escalar alguém até os céus, é caminhar ao lado, mesmo quando o chão treme. Toquei o fundo da minha própria ilusão e descobri algo inesperado: eu também sou digno de altura. (olha ao redor) Que tolos fomos, eu e meu coração, confundindo intensidade com entrega cega. Amar não é desaparecer. Não é reduzir-se à sombra do brilho alheio. Amar… é permanecer inteiro. Se outra vez meu peito arder, que arda lúcido. Que admire sem se diminuir. Que exalte sem se apagar. Não construirei mais tronos. Não erguerei altares. Se houver amor, que seja entre dois reis sem coroa, duas almas sem palco, dois humanos imperfeitos que escolhem ficar. (pausa) E se um dia eu voltar a sofrer que seja por ter sido verdadeiro, não por ter sido menor. (ergue o olhar) Hoje não carrego mais o peso de sustentar ninguém. Carrego apenas a responsabilidade de ser inteiro. E isso… isso é liberdade. (A luz se expande. Fim.)

Luis Henrique Takatsu
A literatura brasileira pode ser entendida como uma tentativa contínua de construção de identidade nacional, mas não de modo linear ou estável. Desde suas origens, ela se constitui como um campo de reflexão sobre o próprio país, suas fraturas históricas, suas influências externas…
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A literatura brasileira pode ser entendida como uma tentativa contínua de construção de identidade nacional, mas não de modo linear ou estável. Desde suas origens, ela se constitui como um campo de reflexão sobre o próprio país, suas fraturas históricas, suas influências externas e suas tensões internas. Mais do que um reflexo passivo da nação, a literatura brasileira participa ativamente da elaboração simbólica do Brasil, questionando e reconstruindo constantemente aquilo que se entende por identidade nacional. Essa instabilidade pode ser percebida ao longo da evolução de seus autores. Machado de Assis, por exemplo, não apresenta uma obra linear. Seus primeiros romances ainda dialogam com o romantismo, enquanto sua fase realista introduz a ironia como uma forma de leitura do mundo e do ser humano. A ironia machadiana não é apenas um recurso estilístico, mas revela uma visão ontológica: o ser humano é contraditório, autoconsciente e frequentemente incapaz de compreender a si mesmo plenamente. No entanto, em sua fase final, como em Esaú e Jacó, essa ironia se suaviza, indicando que a própria visão de mundo do autor se transforma ao longo da vida. Machado, portanto, encarna uma consciência literária em movimento, que evolui e se reconfigura. Em Clarice Lispector, a literatura deixa de ser apenas narrativa de acontecimentos e passa a se concentrar nos estados do ser. Sua linguagem pode tanto revelar quanto dissolver o sujeito. A epifania clariceana, recorrente em sua obra, é um momento de revelação que simultaneamente desestabiliza a identidade do personagem. Em A Hora da Estrela, por exemplo, a linguagem se apresenta mais linear, enquanto em outras obras se torna mais hermética e introspectiva. Em todos os casos, porém, há uma tensão contínua entre revelar o sujeito e desorganizá-lo, indicando que a identidade nunca é plenamente fixa. Essa dimensão ontológica também se manifesta em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. O sertão, ali, é simultaneamente geografia e metafísica. Embora a narrativa se construa a partir de histórias de jagunços, essas histórias funcionam como pano de fundo para reflexões mais profundas sobre Deus, o diabo, o amor e a própria realidade. O sertão rosiano representa um estado existencial no qual o ser humano questiona constantemente o sentido de sua existência. A linguagem regionalista, elaborada e inventiva, não limita o alcance da obra; ao contrário, serve como veículo para questões universais e ontológicas. Na poesia de Carlos Drummond de Andrade, o “eu” frequentemente se apresenta deslocado. Esse sentimento de inadequação é simultaneamente psicológico, social e metafísico. Ao afirmar que não será o poeta de um mundo caduco, Drummond revela tanto sua leitura crítica da sociedade quanto sua própria percepção existencial do mundo. O deslocamento não é apenas individual, mas também histórico e ontológico, refletindo a dificuldade de encontrar um lugar estável em uma realidade em transformação. O modernismo brasileiro, por sua vez, buscou romper com a tradição europeia, mas também se constituiu a partir dela. Influenciado pelas vanguardas europeias — como o cubismo, o futurismo e o expressionismo —, o modernismo brasileiro não pode ser considerado totalmente revolucionário. Ele representou, antes, uma reconfiguração cultural que reposicionou o Brasil dentro de um cenário internacional. Embora tenha introduzido novas formas de expressão e valorizado elementos nacionais, manteve diálogo constante com modelos estrangeiros, revelando a complexidade da construção de uma identidade cultural autônoma. Lima Barreto exemplifica a fusão entre literatura e política. Sua obra é simultaneamente um ato literário e um ato político. Ao desconstruir visões ufanistas do Brasil e expor desigualdades sociais profundas, ele revela um país distante da imagem idealizada. Sua escrita, crítica e amarga, continua atual justamente por evidenciar problemas estruturais que persistem. A literatura, nesse caso, torna-se instrumento de lucidez social e histórica. Na poesia de Cecília Meireles, a temporalidade assume caráter ao mesmo tempo nostálgico e metafísico. Seus versos frequentemente refletem sobre a passagem do tempo e a transitoriedade da vida, construindo uma nostalgia que não se limita à memória pessoal, mas se expande para uma reflexão existencial sobre o destino humano. O tempo, em sua poesia, é consciência da impermanência. A questão da identidade nacional atravessa toda a literatura brasileira. Durante muito tempo, a produção literária refletiu fortemente influências europeias. Apenas ao longo do século XX, especialmente após o modernismo e nas décadas seguintes, é possível perceber a consolidação de uma identidade literária mais autônoma. Ainda assim, essa identidade permanece instável, construída em diálogo constante com referências externas e internas. A literatura brasileira não define uma identidade fixa; antes, revela a dificuldade de estabelecê-la de forma definitiva. Por fim, a relação entre forma estética e verdade social é central na tradição literária brasileira. Em obras como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a linguagem seca e direta corresponde ao conteúdo narrado, criando uma unidade entre forma e temática. A estética não suaviza a realidade, mas a traduz e a intensifica. Quando forma e conteúdo caminham juntos, a literatura alcança maior potência expressiva e crítica. Assim, a literatura brasileira pode ser compreendida como um espaço simbólico em que a identidade nacional é continuamente construída, questionada e reformulada. Ela não oferece respostas definitivas, mas evidencia a complexidade de um país cuja identidade permanece em permanente elaboração.

Monalisa Ogliari
Eu ainda te amo Nao como que procura sua presença no escuro
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Eu ainda te amo Nao como que procura sua presença no escuro Mas com sentimento profundo Eu te amo quem olha seus olhos E busco sua alma que me atravessa Com calma, sem pressa Perdemos as palavras Perdemos o abraço terno Que eu oferecia sem cálculo E sua palavras cada vez mais curtas E nada fluidas anunciam Que o nosso amor não te mobiliza E eu te pinto com tinta preta Uma imagem de luto Onde estão as juras de amizade eterna? Nada mais resta. Estou sozinha em silêncio No despontar do anoitecer E minha casa é meu refúgio Um solo impenetrável Onde reflito minha existência humana. Eu me basto, mas meus lábios São vazios sem os seus Eu quero introspecção Silêncio que se entente Você quer expansão Viva social E em meio a muitos Eu me sinto habitante De outro ecossistemas Estamas separados por anseios de vida E nada espero de ti A não seus olhos que me observam E a distância de nossos lábios Eu te amarei na memória Você procura ação Eu anseio vida privada Isso nao me faz mais pobre Eu converso comigo Você conversa com o público Eu não deixei de te amar Amo na distância E seus olhos olham os meus E nosso boca se tocam em silêncio E à distancia Sei que nunca seremos indiferentes E na noite de hoje Sonho com diferenças serenizadas E o encontro de nossos lábios Mostras que somos todos iguais E nos encontramos em nossos corpo E saberemos que fomos amados Apesar do mundo Apesar de nós dois O amor quer pele O amor não quer razão Unidos pelo desejo inconsciente De sermos um Em um mundo caótico O meu amor está aqui Entre desejo e ponderação Olhe-me, simples mulher caseira. E te abraçarei profundamente E te curarei da razão. Eu não sou palco Eu não sou plateia Eu sou o amor puro Que sua alma reconhece. Ainda que você negue. O amor é abstração E nada espera, O amor não é humano. É um pedaço de divina Na esfera terrestre. Eu te amarei sem nada esperar. Ao dormir eu lembrarei dos seu olhos. Seguirei em frente como que carrega O segredo do universo.

Monalisa Ogliari
Quando eu atravessei o meu deserto, vi muita gente que dizia estar perto simplesmente desaparecer. Os de longe, poucos, ainda perguntavam o que tinha acontecido, mas era apenas pra alimentar a discórdia e fofoca , afinal, corações rancorosos. Ali eu entendi, quem me sustentou n…
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Quando eu atravessei o meu deserto, vi muita gente que dizia estar perto simplesmente desaparecer. Os de longe, poucos, ainda perguntavam o que tinha acontecido, mas era apenas pra alimentar a discórdia e fofoca , afinal, corações rancorosos. Ali eu entendi, quem me sustentou não foi plateia, foi Deus. Ele foi minha fonte quando tudo parecia seco. A Palavra que diz “ser forte e corajoso” não ficou só na Bíblia, virou prática diária dentro de mim. As poucas mãos que ficaram não eram muitas, mas eram verdadeiras. E com elas fiz conexões, levantei a cabeça e continuei caminhando. No meio da luta, tive que matar o menino ingênuo que ainda tentava sobreviver na minha alma. Não foi perder a essência, foi amadurecer. Antes, o meu coração era aberto demais. Hoje ele é firme. Não aprendi a destratar ninguém, mas aprendi a selecionar. Não mudei minha verdade, só parei de jogar sozinho enquanto os outros jogavam diferente. Sobrevivi. E, no fim, foi um único braço que me sustentou de verdade. Obrigado, Deus, por nunca soltar minha mão. Graças ao perdão que me limpa. Graças à energia que me mantém de pé.

Evangelista araujo leite
Apego Ato 2 (Palco quase escuro. Um único facho de luz. Ele caminha lentamente.) Assim termina o engano do meu próprio coração.
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Apego Ato 2 (Palco quase escuro. Um único facho de luz. Ele caminha lentamente.) Assim termina o engano do meu próprio coração. Eu, arquiteto da ilusão, escultor de um trono que jamais me pertenceu. Com mãos trêmulas de afeto ergui muralhas de admiração, e no topo delas coloquei um ser humano… feito da mesma fragilidade que eu. Mas ceguei-me. Preferi chamá-la de estrela, para justificar minha disposição em viver na sombra. Oh, que doce veneno é idealizar. Enobrece o outro e empobrece a si mesmo. Fiz dela soberana de um reino que inventei. Curvei-me diante de um amor que não pediu joelhos. E quando clamei por reciprocidade, o eco foi minha única resposta. (pausa longa) Mas eis a tragédia maior não foi rejeição. Não foi desprezo. Foi consciência. Consciência de que nenhum trono se sustenta sozinho. Que todo pedestal exige um chão. E eu… eu escolhi ser chão. (olha para as próprias mãos) Estas mãos que ergueram, agora aprendem a desfazer. Pois se amor houver de existir, que venha sem coroas. Sem alturas inventadas. Sem abismos criados pelo excesso de devoção. Que venha como encontro. De pé. Olho no olho. Respiração contra respiração. E se não puder ser assim… (entonação firme) Que caia o trono. Que se despedacem os altares. Que reste apenas a verdade dois seres humanos ou nenhum. (A luz se apaga lentamente. Silêncio.)

Luis Henrique Takatsu